Opinião – A Lello, o que é de Lello

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Paulo Valério

Paulo Valério

Para quem tenha um pouco de memória, ouvir José Lello a chamar Beppe Grillo a Henrique Neto não causa qualquer surpresa. Basta repescar as declarações de Lello sobre Alegre, quando este se candidatou à presidência da República sem a bênção do PS, para lhe fazer justiça.

Os partidos sempre tiveram pessoas destas. Quando se trata de ferir um adversário, ser deselegante ou mesmo enxovalhar, não é preciso ir buscar um comediante italiano – há sempre um bravo a espumar por essa exaltante missão. No PS, esse bravo costuma ser José Lello, cujo nome fica para a posteridade por outras que tais.

Veja-se que Lello distribui mimos sem olhar a quem. Sejam do PS, do PSD ou independentes, levam todos pela medida grande. Para Lello, um democrata que presidiu à administração da Assembleia da República, Fernando Nobre é um “estagiário sem currículo” e Cavaco é “um foleiro”. E não, não me socorro de uma memória prodigiosa. Enquanto o Google existir, José Lello tem garantido o seu lugar na história.

Mas Lello não é apenas bravo e justo. Também é magnânimo. Em 2008 dizia que Alegre não tinha “caráter”, em 2010 não participou na campanha presidencial daquele (já apoiada pelo PS), por uma “questão de decência” e em 2014 fez as pazes com o político poeta, num momento que caracterizou como “bonito e feliz”.

Para homens assim, o futuro é sempre um livro aberto.
Certo é que, mesmo com recurso ao Google, não é possível registar grandes manifestações oficiais, seja de elogio, seja de reprimenda a José Lello, por parte do PS. Quase como se, ironicamente, Lello fosse tão indiferente ao PS como Henrique Neto parece ser para António Costa.

O que – não sendo possível convencer António Costa a dedicar mais atenção ao empresário da Marinha Grande – já seria, para mim, um grande consolo.

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