Especialistas questionam autocarros elétricos no Ramal da Lousã

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Especialistas em transportes questionaram no sábado, num debate em Coimbra, a viabilidade da utilização de autocarros elétricos no ramal da Lousã, possível solução avançada pelo Governo em substituição do projeto Metro Mondego.

O docente da Universidade do Algarve Manuel Tão questionou o uso do sistema de BRT (sigla inglesa para ‘bus rapid transit’, autocarro com uma faixa de rodagem exclusiva), recordando que este “tem tido alguma aplicação em áreas urbanas, mas não em áreas suburbanas”.

Segundo o especialista em transportes, os autocarros elétricos são uma “tentativa” de se introduzir no sistema rodoviário “uma escala que este não tem”, não apresentando “a atratividade, conforto e fiabilidade” que a opção ferroviária apresenta.

Os sistemas ferroviários têm “capacidade de ir buscar pessoas ao carro. Os autocarros, não”, apontou o docente, que falava durante o debate “Ferrovia vs. Rodovia”, no âmbito do XI Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Civil, que começou na sexta-feira e termina na segunda-feira, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Para Manuel Tão, é importante que se pense no transporte público, “não como um conceito para pobres e idosos”, mas como forma de redução do tráfego automóvel, criticando o Governo por não ter tido “qualquer tipo de consistência nas políticas de transportes” nos últimos quatro anos.

A solução de mobilidade para os concelhos de Miranda do Corvo, Coimbra e Lousã passaria, na sua ótica, por “uma solução ferroviária, faseada e incremental”, em que o troço suburbano estivesse integrado na rede ferroviária nacional.

O docente de engenharia civil da FCTUC e antigo presidente da Metro Mondego, Álvaro Seco, também presente no debate, sublinhou que o BRT poderia fazer sentido “em ambiente urbano”.

Contudo, frisou que não conhece “qualquer solução técnica para se usar o BRT em meio suburbano”, questionando como é que os autocarros elétricos “vão circular pelos túneis e pontes”, numa linha que é de montanha.

“Não vejo o BRT a ser competitivo a servir aquele canal”, comentou, defendendo que a solução para o ramal da Lousã deve passar por “metros ligeiros, com condução à vista”, na área urbana, e “depois na área suburbana transforma-se quase num comboio”.

Quanto à utilização de um sistema de comboio pesado, este “não tem nenhuma vantagem, se na zona urbana não serve para nada”, afirmou.

Também participaram no debate José Baptista da Costa, administrador dos Transportes Urbanos de Braga, e o antigo presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, que sublinhou que, ao se repensar o projeto do ramal da Lousã, tem que “se repensar desde o início”, o que significa “que se tem de fazer novo projeto”.

Passos Coelho admitiu em dezembro que uma das soluções para o ramal da Lousã poderia ser um autocarro elétrico, entre outras opções possíveis, tendo o Governo já confirmado o abandono do projeto Metro Mondego, que contemplava a instalação de um metro ligeiro de superfície do tipo “tram-train” – com capacidade para circular nos eixos ferroviários, urbanos, suburbanos e regionais – na cidade de Coimbra e no Ramal da Lousã.

3 Comments

  1. Tendo por base a reportagem jornalística, concluímos que o Sr. Prof. Álvaro Seco faz por esquecer que existia um ramal centenário, destruído quando ele presidia ao sorvedouro de dinheiros públicos conhecido por "Metro Mondego". E não parece nada preocupado com a urgente reposição de um serviço ferroviário que servia os concelhos de Coimbra, Miranda do Corvo e Lousã e servia anualmente um milhão de pessoas. Sem pedir desculpa pela malfeitoria em que participou e foi um destacado protagonista, revela um chocante despreso pela direito à mobilidade de milhares de pessoas.

  2. oREVOLTADO says:



    é isso que vão implementar? Por amor de deus.
    Facam a conta a quantidade de pessoas que vivem nos subúrbios, e a quantidade de pessoas que um metro/comboio e autocarro levam. Pensem,

  3. oREVOLTADO says:

    Cada vez mais rebaixam o centro, e não pode ser assim.

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