“É fundamental voltar ao que é inocente em nós, ao que é ainda genuíno”

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“True” é uma palavra forte, incisiva. Este disco é a verdade do Paulo Furtado, músico, português, com quase 20 anos de carreira?

Quando pensei neste título, era essa a minha ideia, procurar a minha verdade musical e tentar gravá-la e mostrá-la às pessoas. Mas depois comecei a perceber que, se calhar, tinha ido parar a este título, também, parece-me, porque queria mesmo afirmar essa verdade. Com o passar do tempo começa a haver cada vez mais procura para fazer coisas que, às vezes não são tão interessantes ou tão entusiasmantes, mas que financeiramente podem ser vantajosas. Algumas, as que não importam de todo em termos de interesse ou entusiasmo, recusam-se, outras acabam por se fazer, também para conseguir fazer melhor essa distinção. E essa é uma aprendizagem que só é possível ao fim destes quase 20 anos de carreira. Contudo, há 20 anos eu não precisava de pensar o que é que era verdade musicalmente, isso era espontâneo, era inocente, de alguma forma. E, hoje, essa inocência tem de ser procurada, relembrada. Voltar a essa inocência, tentar perceber o que é ainda inocente em nós, o que é que é ainda bonito, o que é que é ainda genuíno. E tentar tirar isso e mostrá-lo às pessoas.

Este álbum tem muito disso tudo, de bonito, de genuíno. É uma espécie de mostra depurada do que o Paulo Furtado foi fazendo ao longo dos anos nas suas diversas facetas de artista. Tem percebido isso na resposta do seu público, um pouco pelo mundo?

A reação do público e da crítica tem sido incrível, tem sido muito feliz. Eu confesso que depois do “Femina” – eu podia dizer que nada mudou depois do “Femina”, que não seria absolutamente verdade –, este disco, fruto de muito talento que não é meu, que é de todas as pessoas que nele participaram, fizeram dele, talvez, o meu disco mais bonito, por um lado, e mais interessante artisticamente, por outro. Depois dele, eu tinha de fazer um disco solitário e comigo mesmo. Porque também precisava de perceber o que queria fazer.

Reencontrar-se um pouco consigo, depois dos “encontros” que o disco “Femina” proporcionou?

Exatamente isso. Por isso para este disco, de certa forma, isolei-me mais ou menos durante três meses a compor, o que fiz pela primeira vez exatamente nestes moldes. Porque, habitualmente, vou compondo ao longo do tempo, nunca tiro um período específico. E neste disco isso aconteceu, porque eu tinha coisas muito díspares e não sabia exatamente em que direção queria seguir. Este isolamento, obrigou-me a criar um conceito e a criar uma direção, no fundo foi isso.

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