“De Espanha vêm também bons ventos. E ótimos negócios”

Cláudio Schulz

Cláudio Schulz

A vida levou-o para longe da cidade onde estudou, mas Cláudio Schulz não esquece os tempos em que chegou a ser presidente da Assembleia Magna da Associação Académica de Coimbra e em que frequentou a Orxestra Pitagórica.

Corria o ano de 2004, numa época em que os projetos para o futuro eram ainda tão incertos. Hoje, com 35 anos, o antigo dirigente associativo que foi estudante de Engenharia de Minas na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, natural de Tomar, é um empresário de sucesso em Madrid.

A aventura na terra de “nuestros hermanos” teve início em 2006, altura em que Cláudio Schulz foi para Espanha fazer uma formação no software de gestão de empresas SAP. “Acabei por ter ofertas de trabalho e fiquei. Como as coisas em Portugal já não andavam muito bem e a diferença de salário era considerável, decidi arriscar”.

E em boa hora o fez. Nesse ano desempenhou funções de consultor certificado em SAP em diferentes organizações, nomeadamente, na Informática El Corte Inglês (IECISA), uma das maiores consultoras informaticas de Espanha. No entanto, Cláudio Schulz quis ir mais longe e, em 2011, juntamente com o irmão (também antigo estudante de Coimbra) e as respetivas namoradas, deu início a um projeto seu.

Take away de comida típica portuguesa

Graças a uma parceria com o Rei dos Frangos, com sede em Leiria, Cláudio e o irmão Carlos (master em Comércio Internacional), Sónia Gregório (psicóloga) e Lúcia Carvalho (consultora MediaNet) abriram o restaurante “Frangus”, um conceito take away de comida típica portuguesa, especializado em frango e bacalhau na brasa, mas que vende também outros produtos de marcas portuguesas, como vinhos, cervejas, sumos ou pastéis de nata.

Em 2011 abriu duas lojas em regime de take away e, em 2012, um restaurante em pleno centro de Madrid.
O empenho e espírito empreendedor acabariam por ser reconhecidos nesse mesmo ano: a parceria estabelecida entre as churrasqueiras Rei dos Frangos e Cláudio Schulz representou para o jovem a distinção com o Prémio Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa, atribuído pela COTEC Portugal.

O prémio, entregue pelo Presidente da República, Cavaco Silva, visa premiar e divulgar publicamente cidadãos portugueses que se tenham distinguido pelo seu papel empreendedor, inovador e responsável nos países de acolhimento e que constituam exemplos de integração efetiva nas correspondentes economias. Mais tarde, o seu irmão seria também finalista do Prémio Empreendedor Jovens AJE Madrid, na edição de 2012, devido ao Frangus em Madrid.

Nova empresa em consultoria informática

Também no final de 2012, surgiu a possibilidade de criar uma empresa que se dedicasse a serviços de consultoria informática especializada no software SAP, a Sapcore. A empresa dedica-se à consultoria de tecnologia, serviços profissionais, formação e outsourcing.

“No ano passado, iniciamos um processo de expansão internacional desta empresa e, atualmente, temos delegações na Venezuela, no Panamá, e recentemente no Estados Unidos. Já estamos a iniciar os nossos primeiros projetos internacionais”, conta.

Devido a este novo desafio, é o irmão Carlos que agora está responsável pela gestão, a tempo inteiro, do Frangus, enquanto Cláudio gere a Sapcore.

Para Cláudio Schulz, e para o irmão Carlos e a emigração não é algo de novo: também o pai de ambos rumou, em tempos, para a Venezuela à procura de melhores oportunidades. Antes, já os avós tinham emigrado para Moçambique. No entanto, para estes irmãos, o facto de viverem ao lado de Portugal faz com que não se sintam tão longe do país onde cresceram.

Jovens Empreendedores Portugueses

Ainda assim, os dois fundaram, juntamente com outros três amigos, um centro de apoio a jovens portugueses que pretendem dar início a novos projetos em Espanha. O JET (de “Jovens Empreendedores Portugueses”) quer juntar jovens, ideias e empreendedores.

“Queremos dar a conhecer oportunidades em Espanha e ajudar a quem quer montar negócio. Já tivemos iniciativas muito interessantes, desde conseguir reunir investidores portugueses com projetos num mesmo encontro, passando também por dar a conhecer questões legais da criação de uma empresa em Espanha”, afirma Cláudio Schulz.

Bons ventos e bons negócios

De Portugal, diz sentir falta do “excelente clima, da excelente cultura, da excelente gastronomia”. “Só é uma pena a situação económica do país”, diz. E lamenta que, por cá, continue a reinar a autocrítica negativa, o lamento, o medo de arriscar.
“Uma vez li sobre as quatro perguntas que um empreendedor se deve fazer regularmente: Porquê? Porque não? Porque não eu? Porque não agora?”, afirma. Por isso, apesar das saudades, não pensa voltar em breve. “Talvez um dia, quem sabe, mesmo antes da reforma”, afiança.

Até lá, pretende continuar a somar sucessos. É que do país vizinho, ao contrário do que diz o provérbio , “vêm também bons ventos”. E ótimos negócios.

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