Opinião – Zé Viterbo: o mestre do academismo

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Luís Santarino

Luís Santarino

Cheira-me, mas cheira-me mesmo que reiniciarei na próxima semana os meus textos que alguém denominou, “reflexões”.

Cidade cinzenta, aliás, de acordo com o País, este que não outro, em que cada um vive a sua vida sem dar importância à opinião contrária. É que começo a ficar farto de “autistas encartados”, desses, para quem a verdade e a sua pessoa são uma e a mesma coisa.

Há tanto para escrever!

Mas hoje para mim é um dia de alegria, quase de festa.

O Zé Viterbo parece ser o treinador que vai orientar a equipa da Académica no Estoril. Era bem feito que ganhasse! Ganha aí ó Zé, para mostrar às “p…s quem são os cabr..s”!

Uma vitória agora “sabia a ginjas”. Até pelo facto de nesta altura, não vivermos no “melhor dos mundos” na nossa muito pequena instituição desportiva.

Tenho memória. Aliás, memórias. Ao longo das décadas fizeram-se filmes sobre os mesmos assuntos. Os protagonistas mudam, a história transforma-se, mas o objectivo é sempre o mesmo. Contar uma história. A mesma história. Mas cada um à sua maneira.

Recordo-me bem, porque ainda vai havendo memória para estas bandas, de, a Académica estar numa situação aflitiva. As convulsões eram muitas e os factos sem gravidade absoluta. Mais parecia um ajuste de contas.

Olhei à minha volta e não me pareceu que alguém com credibilidade quisesse tomar as rédeas da coisa, mas antes, atrapalhar a vida de quem estava.

Recordo-me bem das caras e dos protagonistas, o que disseram, a quem e o modo como se referiram, a forma acintosa com que usaram da palavra.

A verdade estava ali. Nua e crua. Sedenta. Não de vitórias e de afirmação. Pareceu-me até que alguns, perdoe-se-me a expressão, pareciam não estar “bem da cabeça tal o ódio expresso nos seus olhos.

Lembro-me de ter dito, porque fui o quarto sócio a falar, que o campeonato da manutenção começava “amanhã”. Não deveriam existir crises artificiais. Daquelas que enche de gozo quem as promove, mas de angústia para quem as tem de resolver.

Eu conheço o Zé Viterbo melhor do que ninguém. Sei da sua ímpar organização, da sua capacidade de estudo, da análise cuidada do treino, de tudo o que envolve a responsabilidade de um treinador.

Sempre fiquei admirado por nunca ninguém ter dado uma oportunidade ao “Mestre do Academismo”! É que o Zé Viterbo só saía da Académica quando o empurravam. Por sua vontade comprometia-se até “fechar os olhos e ir dar uma volta ao bilhar grande”.

O Zé Viterbo vai ficar na Académica como treinador principal? Nem sei nem me interessa. O que eu desejo é que ele tenha êxito e seja feliz. O resto não interessa.

Se o futuro determinar o seu regresso aos sub-23 e contratarem alguém mais experiente, esse alguém que o chame para junto de si. Seria uma atitude inteligente…ainda que rara!

Faz-me lembrar a velha máxima escrita nas paredes dos quarteis: “se soubesses o que custa mandar, gostarias de obedecer toda a vida”!

A Académica vai ganhar domingo ao Estoril? Era bom, porque a manutenção na primeira liga é desejável e está ao nosso alcance.

Independentemente do que resultar, o Zé Viterbo será sempre o mesmo. Nem melhor nem pior, mas diferente! Como a Académica. Como aqueles que a servem sem interesses pessoais ou de grupo.

Hoje apetece-me dizer, parafraseando o Sintético: “Zé, tu não és Grande… és Enorme!”

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