Opinião – Culturas diferentes

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José Manuel Canavarro

José Manuel Canavarro

Uma parte da experiência como deputado passa por um trabalho de ligação a parlamentos de outros países.

No nosso parlamento existe um grupo parlamentar de amizade com o Paquistão. Nesse país existe um grupo parlamentar homólogo, de amizade com Portugal.

Nunca nos visitámos.

Mas, por cá, temos tido a oportunidade de conviver com a embaixadora do Paquistão em Portugal. A atual já é a segunda com quem interajo. Duas mulheres muito inteligentes, muito capacitadas, abertas a uma discussão sobre o seu país e sobre o que, para nós, ocidentais, nos parece mais estranho por lá. Os ataques terroristas, a tensão com Índia e com o Afeganistão, as questões sobre direitos humanos, como a condenação à morte da jovem Asia Bibi por blasfémia, são discutidas com total abertura.

Em tempos de intolerância religiosa, de ataques soezes a pessoas inocentes, o diálogo com as embaixadoras do Paquistão em Portugal têm constituído momentos para perceber um pouco melhor como se pensa tão longe de nós. Nada justifica a ação mais que condenável de desrespeito pela vida e pela liberdade e direitos fundamentais dos outros. Mas poder discutir com abertura é sempre positivo. Leva-nos a uma compreensão e a uma tolerância, que nos distingue. E obriga-nos a não condenar, sem, pelo menos, ouvir.

Num tempo, em que por cá, se condena com a maior das facilidades, sem remissão, treinar a nossa capacidade de não julgar, ouvindo o outro, não é demais.

Nunca é admissível, seja por qual for o motivo, matar ou condenar á morte. Isso distingue Portugal, é parte do nosso património civilizacional e muito nos orgulha.

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