Opinião – Coimbra, terra de encantamentos!

Posted by
Gil Patrão

Gil Patrão

Assisti em 30 de janeiro a uma extraordinária conferência sobre o aquecimento global (AG), promovida pelas Lojas de Saber, que é iniciativa meritória do Professor Pedroso de Lima, em prol do envelhecimento ativo de quem habita nesta cidade. O tema, atrativo e atual, pôs em confronto duas teorias, contrapondo às possíveis causas antropogénicas a teoria dos céticos, que julgam estarmos perante causas e variabilidades de origem natural, próprias do tempo.

O conferencista canadiano, o Professor Lovejoy, da McGill University, laureado Nobel, contou numa sucessão de simples slides o decorrer da história do clima da Terra. Foram minutos atraentes, em que mostrou o que terá ocorrido, do ponto de vista das alterações climáticas, ao longo de milhões e milhões de anos. Com a simplicidade de um cientista genial, expôs o seu contributo para a compreensão das causas do AG, que nos aflige nestes modernos tempos.

Das conclusões, saliento que a probabilidade do recente aumento do AG ser natural, é inferior a 0,1%, o que indica a relevância da intervenção humana, no aumento do efeito de estufa, que conduz ao AG. Quanto à duplicação das emissões de dióxido de carbono, devidas também pela queima de combustíveis fósseis, poder ocasionar um aumento cerca de três graus centígrados, e dos impactos do AG aumentarem rapidamente com mais dois graus Celsius de temperatura média, estão em linha com resultados do Relatório Stern e muitos outros estudos. Sobre a improbabilidade de se descarbonizar a Economia, em cenários de crescimento económico global, é tese com imensos seguidores, em grande parte do mundo económico e científico.

A sala do Exploratório é pequena, mas mesmo assim foi grande demais, para o pouco público presente. O mesmo tem acontecido noutros eventos, mas a culpa não será das Lojas de Saber. Estamos em Coimbra, na terra do não. Do não interessa, do não importa e do não aparece. Há sempre desinteresse. Seja no ambiente ou na economia, a cidade não se incomoda, e esquece!

O Exploratório consiste em dois edifícios notáveis, e o que por lá acontece, no dia-a-dia, é louvável, mas os acessos ao Exploratório são deploráveis. A situação é digna dum país do terceiro-mundo e perdura desde que o primeiro dos edifícios foi concluído. A culpa será, ou não, do Exploratório?! Estamos em Coimbra, na terra do quase nunca. Onde as Autarquias quase nunca resolvem, com celeridade, questões vitais para o desenvolvimento humano. Onde há quase sempre alguém ou algo que emperra, e não existe, quase nunca, quem diz sim. Onde quase nunca se crê em alguém. Onde quase nunca vingam iniciativas das forças vivas da urbe!

Contudo, a cidade vai mudando. Devagar, é certo! Apesar da crise económica profunda, a cidade cresce. Expande-se para fora, em vez de se refazer por dentro, protelando a renovação urbana e dificultando a revitalização das zonas históricas, por certo! Mas, em democracia, mandam as vontades, e são estas que ciclicamente mudam os partidos e renovam presidentes!
O mesmo tem acontecido em Coimbra. Mas em Coimbra, nem se nota que entram uns e desaparecem outros! A inércia permanece igual. Tudo se mantém. Tudo adormece! Na cidade, a inércia, mais que evidência física, é um estado de alma, que não anima, antes nos desanima!

Coimbra é uma tão bela como estranha cidade, em que até parece que nunca, e nada, de novo, acontece! Mas, se não desanimar e muito procurar, observar com atenção e ousar participar, verá que, afinal, por cá, sempre muito, e todos os dias, de novo acontece! Apareça!

2 Comments

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado.

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.