Maria, a menina cheia de vida e de graça

 

FOTO DB/PATRICIA CRUZ ALMEIDA

FOTO DB/PATRICIA CRUZ ALMEIDA

Maria tem a força de uma guerreira. Vinte meses de vida, metade dos quais passados em camas de hospitais. Ainda ontem, dia em que iria ser submetida a mais uma sessão de quimioterapia oral, subiu ao palco e dançou.

Sorriu e fez sorrir quem quis associar-se ao evento solidário de zumba que teve lugar no Pavilhão Gimnodesportivo de Poiares e que contou com a participação de cerca de meio milhar de pessoas.

O diagnóstico

Ao primeiro ano de idade, febres altas e persistentes indiciaram algo grave: depois de exames e dias de internamento no hospital de Viseu (os pais de Maria residem em Nelas), só no Pediátrico de Coimbra seria diagnosticada uma leucemia linfoblástica aguda.

“A 4 de junho começou a fazer quimioterapia infantil, o que lhe causava pancreatite. Por isso, há cerca de três meses teve que iniciar a quimioterapia de adulto”, conta Olga Patrícia, a “mãe-coragem”.

Quando se confirmou a notícia, os pais – cuja primeira filha nasceu sem vida há seis anos – revoltaram-se. Choraram.

Questionaram o sentido da vida. Quiseram saber porquê. Mas, todos os dias, a pequena guerreira dá-lhes motivos para que continuem a acreditar que é possível. E tudo isto, apesar “das dores que não a deixam dormir à noite”, apesar das punções lombares, das seringas, dos efeitos secundários da quimioterapia.

“Ela luta. Até parece que não é doente. Só quando voltamos ao hospital é que ela, mais triste, me pergunta: “Mamã, há doutor?””, conta a mãe. “Mas é uma vencedora. É ela que nos dá forças”.


O evento solidário


Foi, precisamente, essa força que enterneceu Mafalda Santos, fisioterapeuta e instrutora de zumba. Por ocasião das comemorações do Dia Mundial do Voluntariado, o grupo que representa deslocou-se ao Pediátrico para fazer uma demostração. “A Maria estava lá e foi tocante a forma como interagiu durante a nossa atuação”, conta a instrutora.
Mafalda apercebeu-se que os pais – a Olga, de 29 anos, é auxiliar de ação educativa, e o pai Rui Alexandre, de 27, é operário fabril – estavam a passar por algumas dificuldades, sobrevivendo essencialmente da solidariedade prestada por família e amigos.
Foi assim que surgiu a ideia de realizar o evento de zumba, que decorreu ontem. As receitas revertem, em partes iguais, para a família da Maria e para associação Acreditar de Coimbra, que presta apoio às famílias das crianças internadas nos hospitais do distrito.
“Todos os dias, eu vejo o sofrimento de outras crianças. Não é só a Maria…”, diz a mãe.
A iniciativa contou com a presença solidária de vários instrutores de zumba, de representantes de marcas, de centenas de pessoas que quiseram estar presentes. Mas tudo isto ficou a dever-se ao voluntarismo e à dedicação de Mafalda Santos. Curiosamente, mãe de um menino de quatro anos: o Salvador.

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