Opinião – Uma Europa inquieta

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Luís Santarino

Luís Santarino

Quando a seu tempo, afirmei que era um disparate apear do poder no Iraque o ditador Saddam Hussein, muitos dos meus amigos disseram que eu estava a virar “perigosamente” à direita. O mesmo disseram quando estive de acordo com o ex-presidente Sarkozy, proibindo o uso de burka pelas mulheres.

Um, o chamado ditador, porque servia de tampão a desmandos terroristas fora da sua área geográfica. O outro, porque estava a dar o primeiro passo para a normalização da vida social em França com reflexos no resto da Europa. Todos olhamos com horror o atentado terrorista, o assassínio de mais de uma centena de jovens estudantes. Não há nenhuma justificação, de índole religiosa ou outra que justifique tamanha atrocidade.
A Europa vai viver anos de grande inquietude. Quando digo Europa falo dos seus cidadãos, nada culpados dos desmandos dos seus fracos políticos e, naturalmente, fracas políticas.
É que, quando os políticos são fracos – leia-se incompetentes – e os Estados não se preparam de forma cuidada, todos nos vemos na contingência de viver num futuro próximo uma “democracia musculada”! Democracia que não é o que o nome indica, mas uma ditadura que procurará ancorar-se num Estado policial. Atualmente, a Europa “vive” num terreno fértil para o desenvolvimento da demagogia e do medo. Ninguém poderá ficar indiferente às atrocidades cometidas. Só que, estas atrocidades, ontem no Paquistão, poderão suceder em qualquer país da europa, ou na longínqua Austrália.
Eu sei que a próprias autoridades estão aterrorizadas. Não sabem como lidar com a segurança das pessoas. Não o sabem hoje, como não o souberam ontem. Incomoda-me que a europa esteja à beira da derrocada. Um “abanão”, ainda que leve, pode transformar tudo o que uma ou várias gerações sonharam. Não é segredo o que a autonomia da Catalunha pode provocar. Até o fim da europa sonhada pelos seus fundadores, cujos últimos decisores não souberam ou não quiseram aprofundar. Mais repúblicas europeias poderão reivindicar a sua independência por terem uma história própria. Uma Europa fragmentada é mais fraca que esta decrépita. Por isso, os políticos, os mais sabedores, deverão tomar em suas mãos a condução do processo contra a ditadura assassina. Vivemos de incertezas. A defesa do Estado de Direito poderá implicar a perda da liberdade individual, total ou parcial, em nome da defesa do ocidente e da sua cultura universalista? Não sei responder a esta questão. Mas sei que, se não conseguirmos estancar a “ânsia libertadora” dos que não respeitam a liberdade individual, poderemos cair na tentação de responder com a pena de Talião; “olho por olho, dente por dente”! Qualquer reação contra aquela gente é boa, de forma a motivar e a estimular os cidadãos para o aprofundamento da nossa unidade. Vai ser duro. Não ficarão pelo Paquistão. Quererão colocar o mundo ocidental a ferro e forro. Estarão na primeira linha do desmoronamento da economia, para daí buscar a força para outros atos terroristas. Compete-nos a nós, todos, ser competentes e procurar fazer parte da solução e não do problema. Como País universalista temos o dever de contribuir. Porque sabemos bem o que isso significa.

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