Opinião – Ordem dos Médicos do Centro: um ano depois

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Américo Figueiredo

Américo Figueiredo

Há cerca de um ano uma jovem e dinâmica equipa, caldeada no associativismo académico e universitário, feita de profissionais que se juntaram em Fóruns de discussão de áreas importantes da profissão médica, ganhava em eleições renhidas, para surpresa de muitos, a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos.

Esta equipa foi liderada pelo médico mais jovem de sempre no histórico de qualquer Secção Regional da Ordem dos Médicos – Carlos Cortes.

Num momento em que o país, a saúde de forma global e o Serviço Nacional de Saúde de forma particular, tal como o futuro dos jovens médicos, passam por dificuldades e vicissitudes várias, seria talvez “ normal “ do ponto de vista histórico, que tal acontecesse. Isto é, que os principais visados pela mudança assumissem a liderança dessa mudança.

Nesta fase de modernização de todas as Ordens e da nossa em particular, queremos vincar que esta serve para reforçar os laços que unem os médicos, mas talvez, e principalmente, os deveres assumidos sob juramento que nos ligam ao Homem (sem discriminação de sexo, raça, credo ou condições sociais) e à Humanidade. Somos os advogados do Homem na sua condição mais precária – a doença. Sem este sentido de estar, a Ordem dos Médicos como forma organizacional de profissionais é assunto do passado, condenada a um fim anunciado.

Somos os responsáveis por defender a qualidade, a independência e regulação do exercício da profissão médica. É a nossa Ordem que valida e garante a certificação dos médicos e a qualidade da sua prática clínica.

Encontrámos uma Secção Regional exausta, sem ligação ao tecido socioeconómico de uma cidade que tem como principais meios de imposição perante o país, o Ensino e a investigação científica, através de uma prestigiada e secular Universidade, e os serviços de saúde, através do seu Hospital Universitário – CHUC, das Clínicas e Hospitais privados, e dos médicos de clínica privada.

A aposta estratégica foi a ligação ao tecido social e institucional da cidade: à Universidade (nossa alma mater), à Faculdade de Medicina, ao CHUC, ás Clínicas e Hospitais privados, à Liga dos Amigos do Centro Hospitalar, às Associações de Doentes, à Câmara Municipal, às outras Ordens profissionais…enfim, a tudo o que tivesse a ver com a estrutura da cidade e da Região.

Do ponto de vista dos médicos, promovemos reuniões cada três meses em todos os distritos médicos, chamando e incluindo todos os que querem trabalhar em cada área, sem qualquer condicionamento.

Tertúlias focadas (género, criança, violência), reuniões temáticas, formação médica em diversas áreas (mormente na área jurídica, com os serões jurídicos), envolvimento em áreas de interesse crucial (como o “Burn-out” médico), e acções de sensibilização em saúde abertas ao público – isto é a Ordem dos Médicos de portas abertas para o exterior.

Especial brilho tiveram as comemorações dos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde. Efeméride centrada em Coimbra, marco na preservação e aprofundamento do SNS como pilar do Estado Social, em que estamos empenhados porque baluarte da dignidade do Homem.

E agora ?

Vamos apostar na formação médica, que periga pela falta de recursos humanos nos principais hospitais, e avaliar a utilização dos formandos como recursos humanos de facto, com prejuízo do estudo da sua especialidade.

Vamos ajudar a fazer sentir que é necessário investir rapidamente nas chamadas especialidades plataforma – imagiologia, patologia clínica, anestesiologia – das quais todas as outras dependem.

Vamos observar os serviços de urgência, lutando para que estejam dotados dos meios necessários aos seus objectivos, mas entrando em campanhas de indicação do médico de família, como primeiro auxílio em caso de doença comum.

Vamos incentivar a criação de sistemas de avaliação da qualidade, que estudem resultados, para atingir a melhoria contínua.

Vamos, em síntese, dignificar e ser dignos da profissão médica.

One Comment

  1. Martins Nunes says:

    Bom artigo feito com muita lucidez, de resto como o prof. Américo Figueiredo já nos habituou.
    Acho importantíssimo a aposta na formação das especialidades âncora (Imagiologia e Anestesiologia) , que temos tido alguma dificuldade em formar o número suficiente de especialistas.
    Talvez a solução passe pela afiliação dos hospitais menos diferenciados com os grandes hospitais, para idoneidades parciais.
    JMN

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