Aldeia Viçosa revive tradição do “Magusto da Velha”

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MAGUSTO DA VELHA

A tradição natalícia do “Magusto da Velha“, que remonta ao século XVII, será revivida na sexta-feira, na localidade de Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda, por iniciativa da Junta de Freguesia local.

O “Magusto da Velha”, com 316 anos, teve origem numa doação feita por uma mulher abastada, cujo nome se desconhece, para que os habitantes pudessem comer castanhas e beber vinho uma vez por ano.

A tradição secular, que junta muitos residentes e forasteiros, realiza-se anualmente no dia a seguir ao Natal, na localidade de Aldeia Viçosa, que fica localizada no Vale do Mondego, no concelho da Guarda.

Naquele dia, a Junta de Freguesia, que espera acolher “muita gente”, distribuirá pelos presentes mais de 100 quilos de castanhas e cerca de 100 litros de vinho.

Segundo o autarca Luís Prata, as atividades começam pelas 14:00, com uma missa, na igreja matriz, pela alma da “velha”, seguindo-se o lançamento das castanhas da torre da igreja e o beber do vinho.

O responsável disse à Lusa que “o principal momento” da iniciativa anual “é o lançamento das castanhas e a degustação do vinho”.

Referiu que quando as castanhas são lançadas da torre sineira para o meio da multidão, quando as pessoas se baixam para as apanharem do chão, os mais novos saltam para cima das suas costas, ocorrendo as denominadas “cavaladas” que costumam arrancar muitas gargalhadas à assistência.

Durante a tarde, haverá animação de rua e a organização também vai promover uma prova de azeite e uma mostra de artesanato tradicional e mostrar aos visitantes o lagar tradicional de azeite, para onde está projetada a futura Casa do Azeite.

O costume do “Magusto da Velha” tem origem numa herança feita, em 1698, aos habitantes de Aldeia Viçosa, por uma mulher abastada que ficou conhecida na terra por “velha”, por o seu nome não ser conhecido.

Segundo a tradição, a “velha” quis que os residentes comessem castanhas e bebessem vinho uma vez por ano e, em troca, rezassem um pai-nosso pela sua alma.

O nome da benemérita ainda “não é ainda conhecido”, lembra o autarca Luís Prata, embora um historiador natural da aldeia, já falecido, tenha deixado “algumas pistas” que “com o tempo” poderão ajudar a esclarecer o nome da benfeitora.

“Já estamos mais perto [de saber o nome da mulher] do que estivemos há uns anos”, apontou.

A herança que está na origem da tradição de Aldeia Viçosa é mencionada no “Livro de Usos e Costumes da Igreja do Lugar de Porco – Ano de 1698” e, ainda hoje, a Junta de Freguesia recebe anualmente uma renda perpétua de 48 cêntimos de euro, que é depositada na sua conta bancária pelo Instituto de Gestão do Crédito Público.

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