Opinião – Caso Sócrates: o político de calças na mão

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Bruno Paixão

Bruno Paixão

Poucas coisas divertem mais o povo do que ver um político de calças na mão.

Para gáudio de muitos, a detenção de José Sócrates foi a peça de teatro aplaudida com êxtase por uma parte da sala, o cerco fatal ao político que num ápice passou a encarnar todos os males odiosos que nos últimos tempos têm vindo a público.

Pelo seu perfil contundente, Sócrates é um daqueles políticos que não deixa ninguém indiferente.

Por isso, do outro lado da sala estão os que se sentem incomodados, dececionados, e procuraram na humilhação por que a Justiça o fez passar, ao detê-lo praticamente em direto à saída do avião, o alibi que precisavam para lhe prestar solidariedade.

A Justiça requer serenidade e precisa de ser um pilar de credibilidade na confiança dos cidadãos.

Este processo inédito em Portugal, envolvendo um ex-primeiro-ministro, com suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, que imediatamente espalhou manchetes em todos os cantos do mundo, impõe que a Justiça funcione bem, para que possamos todos confiar nas suas diligências e nos seus vereditos.

Em democracia, a separação de poderes é fundamental para que a cidadania se realize, como bem disse António Costa, no dia em que viu a sua eleição para secretário-geral do PS ser relegada para segundo plano e desconhecendo ainda que consequências trará ao País este terramoto político.

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