Opinião – Cavar em ruínas

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Gonçalo Reis Torgal

Gonçalo Reis Torgal

Cavando nas ruínas deste país que foi, de um Povo que era, ruínas de uma História doirada onde se escreveram e escrevem do ontem ao hoje e à 25.ª hora, hipper espaço do que é e será, algumas das suas mais negras páginas, neste sem soberania, abdicação do sentido de Pátria: terra, deserta, língua vendida, Povo aviltado, empobrecido, roubado; no desbarato do que resta; na corrupção insaciável; na fome regressada; no desemprego que assusta e envergonha; no deficit que aumenta; na dívida impagável; no governo sem vergonha; na AR dominada pela maioria vendida ao tacho a haver, e a oposição incapaz e impotente; pelo ódio aos idosos na linha do que já fora, no quando do PR, cúmplice do Governo, que, diz salvar o país, mas mais o afunda; no desemprego, na iliquidez da dívida, na ruína da classe média, e na miséria da pobreza real; enquanto, ao revés, favorece os oportunistas, os ricos, a banca especulativa, a corrupção mais sem vergonha e sem lei; lei, que Camilo, na mais evidente actualidade, condena, em Memórias do Cárcere: “A miúdo a lei é capa de ladrões sagazes, e de infelizes tolos que lhe pedem protecção”.

De tudo temos: governo que rouba o Povo; garante, que o consente; uns “tolos infelizes” que ainda crêem na Pátria que era, aceitando as ruínas, que não vêem, deste país que, insisto, foi. Dois exemplos, no sem fim do popular “cada cavadela sua minhoca.”

Um dia, lembram-se, um tal de Rosalino sem vergonha arrotou do sofrer Portugal da “peste grisalha”. Num País onde houvesse democracia, ao tal de Rosalino ser-lhe-ia sugerido demitir-se ou demitido seria. Cá não. Quiçá com um sorriso, por pejo, ou, sem ele, rindo da impudica chalaça, Rosalino ficou, e, na oportunidade, entachado no BdP.

BdP ignorante cúmplice da bandalheira do BES, de que parceiro foi o governo, por omissão, seja; omissão onde se acobardou o PR. Mais uma vez o Povo prejudicado…com F. Efe lido no dedo descuidado da Ministra, espetado ao jeito internacional. BES a vender a todo custo e, pela pressa, ao menor custo; quiçá oferecido à cleptocracia nepotista angolana. Na embostada terra (impedido, por respeito, o dito de Cabrone), em que transformado foi este país, outra ruína.

Falo da estúpida cisão no PS, operada pelo António do Bacalhau. A coberto do tolo não querer ver que a vitoriosa, votação p’rá Europa foi desmerecidau, não do “inadaptado” Seguro, mas do povo não ter esquecido (às vezes não esquece) os desmandos socretinos, a começar no acirrado da D.Lurdes contra Professores, Pais, Alunos e sobretudo contra o País, promovendo a desertificação do interior no mais puro anti-pedagogismo; a proliferação das PPP e acordos de duvidosa bondade; os swaps, esquecidos, porque a Ministra também não tem as mãos limpas – nada a consciência; a multiplicação das AE sem senso, para enricar as grandes firmas; do ataque ao ambiente e à paisagem protegida e de valor Universal, para favorecer a EDP do Mexia. Ou seja o nunca acabar de desplantes da clique socretina, onde é visível o pulo camaleónico do medíocre profissional da política, Jorge Lacão; a promoção do Silva Pereira, arrumado em Bruxelas, mas desejoso de voltar para o desgoverno; e muitos outros, abrigados agora no ceio do António Costa “Bacalhau”. Um BOM AMIGO, ex Secretário de Estado, e, por guerrilha interna, corrido da administração da EP, que bem gerira e projectara, louvou-lhe a coragem.

Eu chamo-lhe OPORTUNISMO. Despudor estúpido a favorecer CPP. Não voto PS, não defendo Seguro, mas lastimo mais esta patacoada de António Costa, igual a tantas, esquecidas. Não as terá esquecido o homem da rua que um dia, em Guimarães, o invectivou alto e bom som, e, sublinhou o descontentar, lançando-lhe à cara um bacalhau, que a segurança abafou, e comido terá, à fartazana, com todos. Isto sem esquecer o fenómeno Marinho e Pinto, em quem votei e vou votar.

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