Opinião – A derrocada da Ponte 25 de Abril

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Santana-Maia Leonardo

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Imagine o leitor que numa certa cidade existia uma ponte pedonal e que o presidente da câmara, contra o clamor geral da Ordem dos Arquitectos, da Ordem dos Engenheiros Civis, do Automóvel Clube de Portugal e do sindicato das obras públicas, decidia abrir a ponte ao tráfego automóvel e de veículos pesados.

O que acha que aconteceria? Não me estou a referir ao facto de a ponte cair porque isso é a consequência óbvia de tão estúpida decisão, refiro-me ao que sucederia após a queda da ponte.

Imagine agora que o senhor presidente vinha pedir desculpa pela queda da ponte porque tinha confiado na palavra do vereador das obras de que a ponte aguentava. Quem acha que era o culpado da queda da ponte: o autarca que mandou construir a ponte pedonal ou o autarca que a abriu ao trânsito de veículos pesados?

E uma última pergunta: face à derrocada e à tragédia, acha possível não só o executivo manter-se em funções como também o vereador responsável pelos erros de cálculo continuar no seu posto a liderar os trabalhos de reconstrução da ponte?

Ora, o que se passou na Justiça, é muito mais grave do que a derrocada da ponte 25 de Abril (existem alternativas à travessia, ao contrário do que acontece com os tribunais), vai demorar muito mais tempo a reconstruir (dentro de dez anos ainda vamos a estar a sofrer e a pagar as consequências desta derrocada) e tem custos muito mais elevados (dava para construir várias pontes).

É, pois, extraordinário como os órgãos de comunicação social procuram desvalorizar o crime de lesa pátria que está a acontecer na Justiça portuguesa, chegando a colocá-lo ao mesmo nível do que se passou na Educação com o concursos de professores, como se as questões fossem sequer comparáveis, quer em extensão, quer em duração, quer em custos.

E alguma comunicação social chega mesmo a pôr a tónica apenas no funcionamento do Citius como se o problema ficasse resolvido logo que o Citius comece a funcionar.

O Governo está a gastar uma fortuna (já gastou mais num mês do que iria poupar em 30 anos com o encerramento dos 40 tribunais) apenas para atamancar o problema mas daí a ficar resolvido vai uma longa distância de anos, de milhões de euros e de reformas da reforma.

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