Eucalipto ganha terreno à floresta autóctone na Serra da Lousã

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O eucalipto ganha terreno ao pinheiro-bravo e espécies autóctones, na Serra da Lousã, confirmando uma tendência nacional que diversas entidades associam ao novo Regime Jurídico de Arborização e Rearborização.

Neste maciço montanhoso do distrito de Coimbra, têm surgido novos eucaliptais nos últimos anos, alguns plantados já ao abrigo daquele diploma, em vigor desde 17 de outubro de 2013.

Durante a discussão pública do que viria a ser o decreto-lei 96/2013, a associação Floresta Unida, com sede na Lousã, foi uma das entidades que assumiu estar contra uma alegada liberalização da plantação de eucaliptos.

Autarcas e responsáveis dos baldios assumem posições diversas quando têm de escolher entre árvores de crescimento mais lento, como carvalhos, sobreiros e medronheiros, e a exótica australiana que permite maiores lucros em menos tempo, ou mesmo diferentes variedades de pinheiro.

Em Vilarinho, antiga freguesia do concelho da Lousã, cabe a Eugénia Rodrigues dar ao conselho diretivo dos baldios, liderado por Luís Trota, orientação técnica para plantações e replantações, cujos projetos serão analisados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Uma área de pinheiro-bravo atacado pelo nemátodo, em Cabanões, deu lugar a uma plantação de “pinus-radiata”, um pinheiro oriundo das Américas, e a um povoamento misto de sobreiro e pinheiro-manso.

“Tal como o pinheiro-manso, o ‘pinus radiata’ tem alguma resistência ao nemátodo e está a dar-se aqui bastante bem”, disse aquela engenheira florestal à agência Lusa.

Ao lado, “um eucaliptal bastante antigo” foi cortado e renovado, mantendo a espécie.

A entidade a que preside Luís Trota rearborizou sete hectares com eucaliptos, numa área reservada há décadas à mesma opção florestal, no Boque.

As arborizações realizadas nos baldios de Vilarinho, ao abrigo do novo regime, rondam os 20 hectares, entre eucalipto, vários pinheiros e folhosas.

“A indústria está preparada para as fileiras do eucalipto e do pinheiro-bravo”. No entanto, segundo Luís Trota, é necessário “pensar na floresta no seu todo”.

Junto ao aeródromo da Chã do Freixo, em terreno baldio, crescem sobreiros, carvalhos, pinheiros-mansos e cedros, na sequência de uma iniciativa conjunta dos compartes e da Floresta Unida.

“Eucaliptos não plantamos”, assegurou à Lusa David Lopes, presidente desta associação, que tem plantado milhões de árvores em áreas públicas e comunitárias.

Em Serpins, ainda na Lousã, onde os baldios estão em regime de cogestão entre o ICNF e os compartes, representados pela Junta de Freguesia, quase 130 hectares têm eucaliptos, pagando a Soporcel à autarquia uma renda anual de 43 mil euros.

O presidente da Junta, João Pereira (PS), admite que outra área de baldio venha a acolher eucaliptal, havendo ainda um projeto para 70 hectares de castanheiros.

Em Vila Nova, concelho de Miranda do Corvo, os compartes têm “dois projetos de reflorestação, mas nenhum deles envolve eucaliptos”, revelou a técnica Dulce Margalho.

Em março, o conselho diretivo dos baldios avançou com a plantação de 450 árvores autóctones numa encosta que ardeu.

“Preservamos mais a biodiversidade e a defesa da floresta contra incêndios. O eucalipto não nos interessa minimamente”, adiantou Dulce Margalho.

Para David Lopes, da Floresta Unida, importa “olhar para a floresta não como uma despesa”, mas como investimento.

“O eucalipto vai penhorar o nosso futuro”, advertiu o ambientalista.

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