Opinião – Recuperar a economia

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Gil Patrão

Gil Patrão

Somos inundados por declarações que chamam a atenção para a recente recuperação da economia nacional. São certamente boas notícias, que esperemos não resultem mais de um desejo coletivo de ver ultrapassada a fase mais aguda da tremenda crise que vivemos, que do verdadeiro início da saudável, credível e duradoura melhoria da saúde económica do País.

A recuperação da economia assenta na capacidade das empresas se afirmarem nos mercados, pela criatividade e inovação dos produtos e serviços transacionáveis que vendem, em competição com outras economias – que desejam exatamente o mesmo – pelo que o desafio dos gestores é conceber e implementar estratégias capazes de vencer a concorrência.

O que não depende só do talento da gestão de topo de cada empresa, mas da capacidade de organização e da motivação criada e mantida permanentemente nas equipas de trabalho das empresas, do mais importante dos gestores ao menos qualificado dos trabalhadores, reforçando o espírito de união e de missão assumido por todos os colaboradores.

O aumento da competitividade do País, com pequeno mercado interno, exige o crescimento das exportações, vitais para a recuperação económica. Empresas exportadoras de sucesso dominam os ambientes em que operam, mas parte desses ambientes ultrapassam a capacidade e vontade dos empresários, por dependerem da própria estruturação da Sociedade em que as empresas se inserem e da forma e capacidade de organização do Estado, que regula a atividade económica.

Daí a responsabilidade do Estado em aplanar dificuldades que tolhem o desenvolvimento económico e social, por esclarecidas actuações políticas. De preferência prevenindo problemas, o que exige diálogo fácil e franco entre políticos e empresários, aproximando posições entre quem visa o lucro e quem redistribui a riqueza gerada e regula a Economia. A responsabilidade das desejadas concertações, sendo repartida, deve ser assacada em primeiro lugar ao Estado, por este se querer sábio, prudente e descomprometido de interesses comerciais. Exemplifiquemos.

Conhecemos a importância da disponibilidade, custo e qualidade das energias e das telecomunicações – serviços fornecidos por empresas privadas, mas regulados pelo Estado – em todos os setores de atividade e compreendemos que burocracias desnecessárias em serviços do Estado desmotivam empresários e abrandam o dinamismo da atividade económica do País.

Condicionando estes fatores os negócios perseguidos pelas empresas, e como são estas que asseguram a criação dos empregos de que tanto carecemos, é de esperar que o Estado imponha uma mais justa e equitativa repartição de rendimentos em setores regulados da economia, diminua rendas injustas e regule melhor os custos de bens essenciais. Assim como é elementar esperar do Estado que elimine burocracias desnecessárias, diminuindo custos de contexto que asfixiam o funcionamento das empresas. Simples exemplos do muito que temos de alterar.

Recuperar a Economia exige aos políticos que ponham o País acima de qualquer outro interesse. Obriga-os a conceber e implementar políticas que tragam um maior e mais rápido desenvolvimento económico e social. Qualquer recuperação económica precisa de muito tempo e de muita perseverança. E se depende da força e motivação dos cidadãos, carece também de rumo certo e de forte liderança. Exige sacrifícios. Precisa de esperança. Para bem de todos nós!

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