Opinião – Por que a imprensa não assume?

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Bruno Paixão

Bruno Paixão

Assumir ou não, eis a questão! Se perguntarmos a qualquer cidadão atento aos media se é Costa ou Seguro quem tem consigo a imprensa, creio que a resposta será unânime! Costa caiu nas boas graças dos jornalistas (apesar da dececionante prestação nos debates com Seguro). Não vou avaliar o mérito de Costa na angariação desse apoio, mas importa discutir o papel do jornalismo, que veladamente lho tem dado.

Em Portugal, os media generalistas e apartidários não têm o hábito de declarar apoio a candidatos, ao contrário do que acontece com os anglo-saxónicos, que tornam pública a sua preferência. Os órgãos de informação portugueses entendem que se violarem esta tradição, as pessoas deixarão de confiar na sua credibilidade e passarão a duvidar da sua visão isenta dos factos.

Os defensores do modelo anglo-saxónico sustentam que assumir a preferência é sempre mais honesto e menos hipócrita e que, por declarar apoio a um candidato, a imprensa não deixa de ter no horizonte a neutralidade informativa, uma vez que utiliza esse apoio apenas nos espaços dedicados à opinião. Exerce-se assim a velha máxima inglesa de que “as opiniões são livres, mas os factos são sagrados”.

Postas assim as coisas, apoiar uma candidatura política é uma decisão institucional do órgão de informação e não do jornalismo em si, que se mantém equidistante. Todavia, é legítimo questionar quem concede o apoio, se o diretor do jornal, se os jornalistas. E o que sucede quando o jornal decide apoiar um candidato e parte da redação não se revê nesse apoio. Por isso, este modelo trará sempre mais pedras do que caminho. E daí que eu tenha as maiores reservas na sua adoção.

Sempre preferi a separação total entre os órgãos de informação e as candidaturas, por achar que a isenção é o único caminho sem atalhos e, por isso, mais estribado nos pergaminhos éticos e deontológicos. Não aprecio especialmente o modelo anglo-saxónico, agrada-me mais o português. Mas não posso deixar de me insurgir com o limbo que temos vindo a assistir, neste apoio embuçado de alguns órgãos de informação nacionais, que beneficiam um candidato sem reconhecerem que o fazem, passando de soslaio e assobiando para o ar.

O tempo de antena dado a um e a outro candidato tem sido diferente. Também o alinhamento denuncia uma tendência de favorecimento a Costa, colocando-o muito mais vezes na abertura de telejornais, ou fazendo títulos que o destacam do seu adversário. Antes de escrever este artigo ainda indaguei se o departamento de análise da ERC tenciona fazer a medição do tempo e do destaque atribuído às candidaturas. Mas percebi que o assunto não lhe cheira…

Os órgãos de informação, ao definirem o seu estatuto editorial, que é uma espécie de compromisso com o público, estabelecem uma linha de orientação e asseguram que agirão de determinada forma, previamente conhecida do consumidores. Apregoam a isenção e a independência dos amores políticos. Rasgar estas regras é uma grave violação do contrato de confiança. O público sente-se enganado. Fica no ar um estranho odor a propaganda travestida de jornalismo rigoroso. É claro que o cidadão apenas se indigna quando o prejudicado é o seu candidato. E a alguns até lhes sabe bem o favorecimento. Mas lá c

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