Opinião – Política V – Pretensão

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Norberto Canha

Norberto Canha

Eu entendo, e talvez até aprove isso, que Seguro e António Costa disputassem o privilégio de pretenderem serem secretários-gerais do PS; esperava mais de quem tem esse desejo e quem cobre a ambição de ser primeiro-ministro deste país, transformado pelos políticos, em estado de agonia, esperava que eles dissessem mais de concreto e não culpassem os adversários pelo estado a que chegou o país; que fizessem um exame de consciência e ponderassem o que dizer.

Vou começar por voltar ao passado e referir o que pretendiam os frequentadores do café “Trianon”, (com e sem ideologias) que me candidatasse a Presidente da República. Ri-me! Não gozem comigo! (Insistiram nos dias subsequentes) Vou pensar! Pensei! Aceitarei mas só depois de ir a Fátima a pé, para ver se tenho resistência física de ir lá inspirar-me para tomar uma decisão!

Quando isto se passou ainda era vivo o Mota Pinto.

Sendo o presidente da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, estando em Ibiza, no decurso do Congresso Luso Espanhol de Ortopedia, com as responsabilidades inerentes. Encontrava-me ali quando faleceu o Mota Pinto e mandei um telegrama à família a expressar os meus sentimentos.

Terminada a última sessão do congresso, estava a entrar para o autocarro, quando aparece o vice-presidente Dr. Luís Alpoim, num carro alugado acompanhado de outro colega; estava já com um pé no estribo no autocarro a ir para o hotel; estava fatigado. Tanto insistiu que desse uma volta pela cidade, pois não tinha saído da sala dos congressos; tal era a minha fadiga estive para recusar. Mas, tanta gentileza, nem pensar fazê-lo. Acedi.

Parámos num miradouro; volto-me e vejo uma igreja, penetro, rezo e vem-me a inspiração. “Não te metas nisso”. Saio, olho para o lado, e a igreja tinha a seguinte inscrição “Igreja Nossa Senhora de Fátima”. Estava decidido. Encerrou-se a minha candidatura. Não mais se falou nisso!

Mas esperava que quem pretende conquistar o poder o não deve fazer por teatralidade (veste a roupagem e utiliza a linguagem conforme a peça), mas com programa para convencer adeptos, neutros e até adversários. Nada! Eu seria quase um desconhecido mas tinha elaborado um programa, ou discurso e até escrito uma canção. A imprensa, mesmo adversa, teria que estar presente.

Temas e locais:

– Coimbra (centro – ensino e formação profissional)

– Bragança (Trás-os-Montes – agricultura)

– Porto (indústria e sindicalismo)

– Lisboa (política, constituição, economia)

– …

-Faro (turismo)

Isto é o que ainda me ocorreu… Do resto nem penumbra ficou, dado que se perdeu a sebenta onde eu tinha esquematizado a minha apresentação.

Espero que sirva de lição e os candidatos a primeiro-ministro digam não só o que pretendem fazer, mas os meios de que se vão servir para tirar o país da agonia em que se encontra…

Palavras? Só Palavras! Recriminações… A agonia continuará!…

Faça-se um governo de solidariedade nacional.

Basta de caciquismo ideológico…

De todos nós os mais responsáveis são, sem sombra de dúvida, os políticos!

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