Ana Saltão conhece sentença esta segunda-feira

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Ana Saltão, inspetora da Polícia Judiciária. FOTO LUÍS CARREGÃ

Ana Saltão, inspetora da Polícia Judiciária. FOTO LUÍS CARREGÃ

O Tribunal de Coimbra profere na segunda-feira a sentença à inspetora da PJ Ana Saltão, acusada de matar a avó do marido em 2012.

O julgamento da inspetora da PJ, que começou a 16 de junho, com audiência contínuas durante duas semanas, termina na segunda-feira, às 15H00, com a leitura da sentença.

Nas alegações finais, que se realizaram a 16 de julho, o Ministério Público (MP) pediu a pena máxima de 25 anos por homicídio qualificado para a inspetora da diretoria do Porto, considerando que a arguida revelou “premeditação e frieza de ânimo” no alegado crime, afirmou o procurador Jorge Leitão.

O crime, que classifica de “hediondo”, levou à morte de “uma idosa de 80 anos a viver sozinha”, frisou Jorge Leitão, durante as alegações finais, considerando que foram motivos económicos que levaram a que a arguida cometesse o crime.

O MP pediu ainda que Ana Saltão fosse proibida de voltar a exercer a função de inspetora da PJ.

Castanheira Neves, advogado em representação do filho da vítima, disse em tribunal que “a conclusão parece óbvia”.

O facto de o telemóvel da inspetora da PJ estar desligado durante a tarde em que ocorreu o crime, ter ido buscar a filha ao infantário mais tarde, usar o direito de não prestar declarações no primeiro interrogatório, a queimadura na mão ser “compatível” com disparos repetidos num momento de tensão foram alguns dos factos apresentados pelo advogado.

Já a advogada de defesa de Ana Saltão, Mónica Quintela, pediu a absolvição total da arguida.

“Quero que se faça justiça. Um ‘in dubio pro reo’ [princípio em que, em caso de dúvidas, se favorece o arguido] nunca vai restituir o bom nome e imagem da arguida”, disse a advogada.

Em declarações à comunicação social, a advogada considerou que o “in dúbio pro reo” leva a que fique “sempre um estigma e uma dúvida”, sendo necessária a confirmação da inocência da sua cliente.

Mónica Quintela disse que “não há nenhum motivo” para que Ana Saltão tivesse cometido o crime, contestando a tese de que seria por motivos económicos.

No decorrer do julgamento, a advogada de defesa frisou diversas vezes a teoria de que a investigação do caso terminou na madrugada do crime, apelidando a investigação que se sucedeu como feita “a cheirómetro”.

Mónica Quintela criticou diversos procedimentos da PJ, alegando “falhas na investigação”, “falsificação de autos” e “sonegação de provas”.

Durante o processo, Ana Saltão declarou-se inocente, afirmando que os resíduos de disparo de arma encontrados no seu casaco surgiram por “contaminação”.

O marido da inspetora da PJ, que tinha ficado convencido de “que a Ana tinha matado” a sua avó em 2012, em tribunal defendeu a inocência da mulher, considerando que esta não teria condições físicas para cometer o crime.

A vítima, de 80 anos, foi atingida mortalmente com 14 tiros, numa residência da rua António José de Almeida, zona de Celas, em Coimbra, durante a tarde de 21 de novembro de 2012.

Para o julgamento de Ana Saltão, foi escolhido um tribunal de júri, a pedido do MP, sendo o coletivo de juízes composto por João Ferreira, Fernanda Almeida e Alexandra Silva.

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