Opinião – Doenças de Agosto

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Aires Antunes Diniz

Aires Antunes Diniz

A economia portuguesa desde há uns anos, ou talvez desde sempre, sofre de uma grave doença financeira, que é o deficit: o argumento que os governantes usam para aplicarem terapias que nada resolvem e tudo pioram. Na verdade, há cerca de 86 anos vieram a Coimbra buscar o mago das finanças e, com ele, a doença financeira transformou o país em ponto de partida de muitos portugueses para uma diáspora dolorosa, que nos despovoou.

Não admira que um amigo brinque com outro, escrevendo cripticamente: “Foi também pouca sorte tua teres tido de ir a Coimbra que não é terra recomendável para curar constipações e, afinal, nada lucraste em ir no “traumuei” pois ele ajudou a “tramar-te”, de resto ele logo diz ”tramar-te-ei” e assim pioraste” .Na verdade, a doença financeira, que Salazar queria tratar, tinha sido causada pela má cabeça de Sinel de Cordes, que tinha aberto os cofres do Estado para que os capitalistas de então o rapassem.

E chegado a este ponto foram pedir mais à Sociedade das Nações e esta quis intervir nas nossas finanças para as por em Ordem. Era coisa que à Ditadura não convinha, até porque a oposição democrática lhe fazia guerra através da Liga de Paris. E lá foi Salazar para Lisboa qual Salvador, onde teve o apoio do seu mentor Quirino Avelino de Jesus e, ainda, de um qualquer Espírito Santo, uma vez que sempre os houve e onde Ricardo foi sempre um nome frequente.

Como se sabe, então correu tudo bem a esta gente.

Há poucos anos, o Estado Português, inspirado por este outro Ricardo, pediu ajuda externa e esta foi-lhe concedida pois teve o apoio dos partidos da situação, ficando de fora os partidos da oposição que logo viram que se tratava de uma forma de empobrecer o País. De facto, vivemos desde há uns três anos um tempo acelerado de empobrecimento e de degradação da economia portuguesa, bem expressa pelas falências, insolvências e baixas de vendas e… desemprego e emigração.

Entretanto, vivemos a rábula da saída limpa e da saída com cautelas e o governo embandeirou em arco, como se tudo fosse a partir de então um mar de rosas…E nada disso aconteceu pois não puseram na ordem os galináceos do poleiro da banca e estes continuaram a cantar de galo, não cumprindo as leis e fazendo com que o Estado e o Governo não as cumprissem para lhes fazer a sua vontade maligna.

Antes, tal como aconteceu com o BCP, começámos a sentir com as quezílias da Famelga Espírito Santo que algo ia correr mal. Mas, esta aproveitou a ingenuidade do regulador, do supervisor do mercado, e de tanta gente para ir tapando os muitos buracos da sua rede tentacular, mostrando cumplicidades ingenuamente absurdas…

E isso vai dar muito que falar…

Falemos… Então…

(1) Fundo Bibliográfico do Professor Santos Júnior, sito em Torre de Moncorvo, Pires Soares – Correspondência 1966-1967, Documento 105/447.

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