Opinião – No centenário de Joaquim Namorado

Posted by
Francisco Queirós

Francisco Queirós

Comemora-se o centenário de Joaquim Namorado. Namorado, poeta e ensaísta nasceu em Alter do Chão a 30 de Junho de 1914, mas esteve ligado a Coimbra praticamente durante toda a sua vida, aqui falecendo em 1986. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra, dedicando-se, por várias décadas, ao ensino, sendo-lhe vedada uma carreira no ensino oficial, dada a sua oposição ao regime do Estado Novo, como activo militante do Partido Comunista Português desde 1930, quando tinha apenas 16 anos de idade.

Viveu como professor do ensino particular. Só depois do 25 de Abril lhe foi permitido ingressar no quadro docente da secção de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Namorado foi um dos iniciadores do movimento neo-realista, tendo colaborado em jornais e revistas como a “Seara Nova”, “Sol Nascente”, “Atitude”, “Vértice”, “O Diabo”, e outros.

As suas obras poéticas são “Aviso à Navegação” ( 1941 ), “Incomodidade” ( 1945 ) e “A Poesia Necessária” ( 1966 ), tendo também publicado a biografia Federico Garcia Lorca ( 1943 ) e o ensaio “Uma Poética da Cultura” (obra póstuma, 1994 ).

Namorado, militante comunista de toda a vida, foi eleito na Assembleia Municipal da Figueira da Foz, cidade onde também residiu. Em Janeiro de 1983, a cidade da Figueira da Foz, por iniciativa do jornal Barca Nova, prestou-lhe uma significativa homenagem, que constituiu um acontecimento nacional de relevante envergadura, onde participaram vultos eminentes da cultura e da democracia portuguesa.

Na sequência dessa homenagem, a Câmara Municipal da Figueira, instituiu um prémio literário com o seu nome, que alcançou grande prestígio a nível nacional. O Prémio Literário Joaquim Namorado foi contudo suspenso na presidência de Santana Lopes.

O Sector Intelectual de Coimbra do PCP lançou o repto e decorre actualmente um programa de comemoração do centenário de Joaquim Namorado com a participação de A Escola da Noite, Ateneu de Coimbra, Casa da Escrita, Casa da Esquina, Cooperativa Bonifrates, Editora Lápis de Memórias, O Teatrão, Revista Vértice e Sindicato dos Professores da Região Centro, com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra, do Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira) e da Universidade de Coimbra.

Nos cem anos do poeta, cidadão, militante comunista, a Câmara de Coimbra, por proposta do vereador da CDU, prepara-se para evocar o seu nome, inserindo-o na toponímia da cidade. Espera-se que a autarquia da Figueira da Foz reponha o prémio com o nome do poeta, emendando o acto de mediocridade que em tempos praticou.

Afinal, foi Namorado que clamou em “ Aviso à Navegação”: “Alto lá! / Aviso à navegação! /Eu não morri: / Estou aqui /na ilha sem nome, /sem latitude nem longitude / perdida nos mapas, /perdida no mar Tenebroso! (…) Aviso à navegação: / Não espereis de mim a paz! /Que quanto mais me afundo /maior é a minha ânsia de salvar-me! /Que quanto mais um golpe me decepa / maior é a minha força de lutar! /Não espereis de mim a paz! / Que na guerra / só conheço dois destinos: / ou vencer – ai dos vencidos! – / ou morrer sob os escombros / da luta que alevantei!”

One Comment

  1. José Coimbra says:

    Um poeta maior, o cidadão íntegro, um lutador da liberdade, um antifascista assumido. Lembro-me dele nos anos 80 era eu um jovem. Era uma pessoa fascinante! Coimbra. a Figueira da Foz, o país devem-lhe uma justa homenagem.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.