João Francês em Munique com o coração na Lousã

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João Luís Carvalho, mais conhecido por João Francês. FOTO ANTÓNIO ROSADO

João Luís Carvalho, mais conhecido por João Francês. FOTO ANTÓNIO ROSADO

Nem quatro décadas emigrado na Alemanha fizeram esquecer a alcunha de Francês que João Luís Carvalho, de 68 anos, utiliza desde a sua juventude. Os amigos da Lousã assim o confirmam, muitos deles sem já recordar o seu verdadeiro nome, se é que alguma vez o souberam.

A alcunha foi herdada do pai, que este esteve emigrado em França durante nove anos, em meados do século passado. Os filhos – João e três irmãs – já nasceram em Portugal, após a aventura além-fronteiras do pai, mas cresceram a ouvi-lo a descrever, com entusiasmo, a sua vida em França. Assim, João Francês sempre alimentou a vontade de, também ele emigrar, tal como as irmãs, assim que chegasse à idade adulta.

A primeira das irmãs foi para França nos anos de 1960, embora, numa primeira fase, não tenha partido de livre vontade; “fugiu às ameaças do Estado Novo, onde tinha registo pela sua atividade política de resistência”. Já instalada em Sorbonne chamou o irmão para ir para junto dela, mas João Francês não quis ir para França. Só depois de cumprir o serviço militar de quatro anos, incluindo “26 meses de uma experiência traumatizante de guerra na Guiné”, é que decidiu emigrar. Fê-lo em 1973, de forma legal, depois de uma conversa com a então diretora regional de Coimbra do instituto do emprego.

Deixou a função que exercia na Fábrica do Papel do Prado, na Lousã, e partiu para Munique, com emprego certo e casa arrendada. Trabalhou durante seis meses numa empresa de materiais de construção, após o que se transferiu para uma fábrica de revestimentos plásticos, assumindo funções no departamento de controlo de qualidade durante 35 anos, até à reforma, há seis anos.

Casado e com três filhos

Casou com uma alemã, assistente social, e constituiu família, mas – com exceção de 1982, quando nasceu o primeiro de três filhos – nunca deixou de vir a Portugal, de férias, em longos períodos de seis ou sete semanas por ano: “Gosto de viver em Munique, mas adoro a Lousã… e a minha mulher também”.

Terá sido igualmente por pressão dela que compraram uma casa velha na vila, alvo de profundo restauro. Depois de reformado, reparte a sua vida entre cinco meses na Lousã e sete meses em Munique, com duas ou três viagens por ano. As amizades da infância são as mais importantes. Por isso, quando está na Lousã, “não dispensamos tomar café juntos duas vezes por dia”, remata, em jeito de complemento, José Redondo, um dos seus amigos de sempre.

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