Ordem dos Médicos denuncia “graves problemas” no Centro Hospitalar do Baixo Vouga

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O líder da Centro da Ordem dos Médicos na Região Centro, Carlos Cortes, diz que o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) atravessa “graves problemas”, incluindo “inexistência de coordenação” do grupo de transplantes.

Esta situação verifica-se há dois anos e “já tem tido efeitos nefastos na manutenção correta da dádiva de órgãos”, afirmou Carlos Cortes aos jornalistas, em Coimbra.

Os “graves problemas” do CHBV, que reúne os hospitais de Aveiro, Estarreja e Águeda, foi o tema de uma primeira sessão de um ciclo de conferências de imprensa a realizar semanalmente na sede da Secção Regional da Ordem dos Médicos.

Carlos Cortes denunciou também o “desmantelamento” de vários serviços daquele centro hospitalar, como a consulta de hematologia, a consulta de diabetologia da Medicina Interna e a cirurgia do ambulatório do Hospital de Estarreja, bem como a“inadequação das necessidades em materiais dessa mesma consulta” no Hospital de Águeda.

O “desmantelamento” da consulta de hematologia levou ao “armazenamento de novos pedidos de consulta para doentes portadores de patologias, algumas das quais do foro oncológico, durante quase um ano”.

A direção do serviço alertou “numerosas vezes” o conselho de administração do CHBV, o qual, segundo Carlos Cortes, “não tomou nenhuma diligência e deixou deliberadamente acumular a lista de espera durante um ano”.

“Só após a divulgação pública desta situação foram encaminhados doentes para as consultas de hematologia do Centro Hospitalar e Universitário (CHUC) e do IPO de Coimbra”, disse.

Na fusão de serviços, na sequência da criação do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, “não foram acauteladas as corretas transferências de meios humanos, o que obviamente tem prejudicado a correta execução da atividade assistencial”, acusou o dirigente da Ordem dos Médicos.

“As transferências de material clínico e medicamentos entre unidades hospitalares (do CHBV) não respeitam as boas práticas de acondicionamento que possam assegurar a manutenção dos parâmetros de qualidade”, acrescentou.

O “encerramento recente de camas de internamento” (oito no serviço de medicina em Águeda e sete em Estarreja) foi outra das situações referidas aos jornalistas.

“Vários profissionais têm relatado situações onde são marcadas administrativamente consultas de especialidade de cinco em cinco minutos, tempo obviamente insuficiente para o atendimento adequado de um doente”, criticou.

Carlos Cortes acusou “a atual gestão” do CHBV de estar “a prejudicar gravemente a organização dos cuidados de saúde, podendo colocar em risco o atendimento e o correto tratamento dos doentes”.

A Lusa contactou o conselho de administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga, para obter a sua posição, mas ainda não teve resposta.

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