Opinião – Europa sem bússola

Posted by
Fernando Serrasqueiro

Fernando Serrasqueiro

Quatrocentos milhões de eleitores poderão ditar, nos próximos dias, o caminho que leve à saída da crise europeia, que está longe de estar dominada. Existem visões distintas, clara ausência de solidariedade e falta de líderes carismáticos empenhados no ideal de Jean Monnet.

O projeto europeu é confrontado com questões sociais graves e dúvidas sobre a utilidade do espaço comum porque a cooperação enfraquece e os interesses egoístas predominam.

Duas grandes opções vão estar em debate e também dois espaços geográficos divergem, os do Norte e os do Sul.

O cenário duma dívida excessiva em ambiente deflacionário durante uma crise prolongada não encontra resposta coesa. Por um lado, aqueles que preconizam a continuação da austeridade através duma desvalorização interna social e por outro aqueles que põem o acento tónico no crescimento, eventualmente com acréscimo de despesa, para fazer face ao enorme desemprego, designadamente jovem e qualificado.
Estas visões têm cambiantes porque se cruzam com a origem de cada candidato a líder europeu e também por outras correntes, com menor influência mas suscetíveis de desequilibrar as posições dominantes.

Nesta incerteza crescem correntes desafiadoras do bloco europeu, do euro e até da acomodação de interesses.

Estes problemas não podem esconder questões que permanecem sem resposta e adensam dúvidas sobre a utilidade duma política comum.
O fenómeno crescente da imigração, que em altura de crise pode ser visto como ameaçadora do emprego e gastador de recursos em políticas sociais de integração, pode ser aproveitado por populismos ultra nacionalistas para defesa do encerramento de fronteiras.

A questão energética, não resolvida, foi ressuscitada com a questão Russa/Ucraniana, sublinhada pela ausência de política externa comum e veio expor debilidades na produção mas sobretudo na distribuição. Posta a nu a necessidade de investir nas interligações entre países e criar alternativas no abastecimento do gás com outras origens e criar mercado único. Portugal pode ter papel central na exportação de energia renovável e ser início de novo gasoduto em sentido inverso ao existente e afastarmos a opção, de custos mais elevados, por garantias de potência.

Identicamente se passa com as telecomunicações, onde não tem havido coragem de impor um mercado único capaz de reduzir custos e aproximar cidadãos. Mesmo entre Portugal e Espanha, economias muito interligadas, ainda não se conseguiu resolver o problema do roaming.
São questões que têm de ter respostas. Mais dúvidas tenho em relação a outras, importantes, mas que a crise pôs de lado. Falo do alargamento, tratado comercial com os USA, revisão do tratado institucional, papel do BCE, combate ao deficit democrático.
Destas eleições, mais que nunca, esperam-se soluções, doutra forma crescem as ameaças.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.