Opinião – Liberdade e responsabilidade não são almas gémeas

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Luís Santarino

Luís Santarino

Falar hoje do 25 de Abril não é importante. Principalmente, porque muitos dos que hoje clamam e reclamam a sua defesa, foram os que pior desempenho tiveram.

Vivi os últimos 40 anos na esperança que o meu esforço em defesa da liberdade tivesse frutos.

Só que liberdade e responsabilidade não são almas gémeas. Deviam…mas não são! Primeiro, porque todos querem ser juízes, portanto irresponsáveis. Segundo, porque assumir responsabilidades por atos cometidos é algo que não faz parte da educação da grande maioria dos portugueses.

Arrisco-me a dizer que, “quem em nada prejudicou a democracia que atire a primeira pedra”!

Políticos profissionais desqualificados, ministros sem a mínima preparação para o ser, juízes formados “à tranca manca” para tomar decisões importantes na vida das pessoas, militares a olhar para o umbigo como se o medo tivesse algum sentido no país democrático, poder local de baixo nível e quantas e tantas vezes atolados em processos de corrupção, comentadores quais “técnicos de ideias gerais” sem capacidade de análise por falta de estudo, forças de segurança mais preocupadas na “caça à multa” do que o dever pedagógico da informação, educação abaixo dos limites do aceitável, embora exportemos muitos técnicos qualificados sem que nenhum retorno tenhamos ao investimento feito, saúde feita à medida de alguns e não à medida de todos, enfim, um manancial de disparates que o Povo vai ter de aguentar sempre e para sempre.

O que a liberdade nos trouxe foi efémero. A própria liberdade nos vai levar! Mas será que poderemos prescindir deste valor sagrado da humanidade? Claro que não. A sua defesa intransigente obrigará a recuar quem dela se quer apropriar como um bem só e apenas de alguns.

Nós, todos nós, fomos um pouco culpados pelo estado caótico a que chegámos. Não, não é o estado económico e financeiro. Esse é imposto por lei. Lei que cumprimos sem reagir, a não ser chamando uns impropérios a ministros e secretários de estado e outros que tais!

É o estado educacional, de respeito pelo outro, no velho princípio que a “minha liberdade acaba quando começa a liberdade do outro”!

É a putalhada que insulta os professores e se porta mal, é a família que se apresenta de advogado na escola porque o “minino” levou uma caldaça, é o psicólogo contratado que determina que o “minino” tem “muita vida” e que toda a gente tem de aturar a sua má criação, é o “para-doente” que queria ir todos os dias ao médico com a justificação que tem direito, é a justiça que “mete na gaiola o pobre” e deixa em liberdade o rico, essa mesma justiça que deixa prescrever processos de poderosos, mas ameaça os pobres com penhoras.

A coisa tem de dar uma volta. Tem de ser a bem…porque a mal será muito mais doloroso. Mas se tiver de ser, que seja!

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