Opinião – Os jovens, Portugal e o futuro

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Gil PatrãoGil Patrão

A atribuição crescente de prémios, distinções científicas e outros galardões a tantos dos nossos jovens que trabalham, estudam e competem no estrangeiro demonstra o reconhecimento doutras economias de pessoas e valores que, por vezes, não enaltecemos devidamente em Portugal.

O Governo – que de mansinho, perante a adversidade do momento, os instigou a partirem – deve agora tudo fazer para reter os que ficaram e atrair os que emigraram. O que fazer? Criar mais confiança, acelerar a economia, desabrochar a esperança. Como fazer?! Relançar o investimento, fundamental para criar emprego! Com que meios? Com os Fundos Europeus. Quando? Desde já, aproveitando os que sobraram e os que ficam disponíveis com o novo QCA.

O progresso (como bem estar social, económico e ambiental) só se conquista e mantém com o vigor, a capacidade de acreditar e de realizar e com a utopia da juventude, e esta quer viver num país com oportunidades de emprego e com perspetivas de melhor futuro do que as que temos neste triste presente, como devem saber todos os que, bem ou mal, nos têm governado.

Relançar Portugal na senda do progresso e afirmar a nossa Economia no Mundo (que descobrimos há mais de 5 séculos!) exige concorrer com armas de sucesso numa economia global que devemos aproveitar (nós, pioneiros no comércio mundial!), o que passa por criar condições para se exercer – aqui, agora, entre nós – a capacidade de trabalho da nossa juventude.

A inteligência e saber dos jovens são o mais importante ativo imaterial. Com eles poderemos conceber, produzir e disseminar inovação e produtos, como quando cruzámos oceanos, prova de domínio do desenvolvimento tecnológico de então. Valorizar estes ativos fundamentais para o desenvolvimento implica duplicar – agora e não no futuro – o investimento na investigação científica, visando a aplicação empresarial, como inovação, e o desenvolvimento de novos métodos, serviços e produtos, promovendo mais exportações e conquistando novos mercados.

Empresários com capacidade de risco carecem de acesso fácil a capital e juros baixos. Temos de conceber e executar políticas económicas ousadas e regulamentos simples, mas com enquadramento e vigilância eficientes, que garantam uma excelente, rápida e correta utilização dos fundos europeus, para gerar emprego e riqueza que sejam fonte de justiça e equidade social.

O poder que o Povo outorga aos políticos deve servir para estes apoiarem a força de trabalho, competitividade, inteligência e poder de inovação de gerações. Sendo terríveis as consequências económicas e sociais dum país crescentemente envelhecido e em que a taxa de natalidade é cada vez mais diminuta, não podemos insistir em políticas de austeridade que, asfixiando a economia, inibem os jovens de assumirem responsabilidades, como as de criar e educar filhos.Começamos a ver ténues, mas importantes, sinais de cooperação que antecipam que os políticos do arco de governação unirão inteligências e esforços e ultrapassarão políticas envelhecidas.

Oxalá tenhamos o estoicismo e perseverança necessários para com trabalho, verdade, convicção e dedicação, construirmos em conjunto uma sociedade mais solidária e justa. Se houver união e entendimento – sinais de força e nunca de fraqueza – teremos um dia o Portugal que merecemos.

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