“Os figueirenses deviam estar tristes com aquilo que aconteceu com a indústria” (com som)

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09  VITOR PAIS ARQUIVO PAC

 

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Quando é que a Microplásticos começa a mudar-se para a Zona Industrial da Figueira da Foz?

A Microplásticos tem um projeto aprovado pelo QREN (fundos comunitários), tem 50 mil metros quadrados comprados na Zona Industrial, está a ultimar o projeto da primeira de quatro ou cinco fases de instalação e estará em funcionamento, no 1 de dezembro, a primeira fase. Esta fase compreende a construção de 3.200 metros quadrados, com a instalação de máquinas e processos produtivos. (…) O processo de mudança – de Cova da Serpe, Quiaios – vai demorar uns três ou quatros anos. A conclusão da transferência, previsivelmente, será daqui a cinco anos.

Qual é o montante do investimento?

A primeira fase representa um investimento de 3,2 milhões de euros. Globalmente, poderá ser multiplicado por cinco ou por seis, dependendo das tecnologias que entretanto forem aplicadas.

Preferia mudar a fábrica para o Pincho (perto das atuais instalações), se o pólo industrial já existisse?

É evidente que sim. Não por outros custos de investimento, mas pelos custos sociais. A Norte do concelho, há muitos trabalhadores da Microplásticos que vão continuar na empresa e que vão aumentar em cerca de 10 quilómetros (para cada lado) a sua distância em relação ao atual posto de trabalho. Mas penso que é um custo menor, porque decidimos apostar na Figueira da Foz, apesar de algumas ofertas que tivemos para sairmos para concelhos limítrofes. (…) A capacidade da Cova da Serpe está completamente esgotada.

Esta mudança é, portanto, para aumentar a produção.

Sim. A Microplásticos tem projetos de crescimento. A indústria em que estamos – a maior parte da produção destina-se ao setor automóvel – está a crescer, está sempre a crescer.

Quais são as projeções de crescimento?

Isso é, hoje, quase um exercício de adivinhação. Contudo, o projeto que apresentámos ao QREN tem um crescimento que aponta para os 40, 50 por cento, até 2018.

Quanto faturou em 2013?

Faturou 29,7 milhões de euros.

O que é que pode levar um empresário a investir na Figueira da Foz?

A indústria da Figueira da Foz é demonstrativa daquilo que temos. Acho que os figueirenses deviam estar tristes com aquilo que aconteceu em termos industriais. Efetivamente, não teve um grande desenvolvimento. Os investimentos mais recentes foram feitos por gente da Figueira da Foz. A Figueira da Foz não tem, nem nunca teve, uma estratégia de desenvolvimento industrial, até porque, durante muitos anos, havia uma grande luta sobre se devia ser um pólo industrial ou um pólo turístico. Teve uma grande “vantagem”: nem fez uma, nem fez a outra!

A Figueira da Foz tem uma estratégia de desenvolvimento económico do concelho?

Recentemente, gastou-se muito dinheiro (em estudos). Pensou-se muita coisa, mas, entre o pensar e o fazer, vai uma distância abissal. Dentro de todos os documentos que existem à disposição dos figueirenses, conseguir-se-ia encontrar boas ideias para se fazerem coisas. O problema é que há pouco jeito para fazer. (…) O que é que se tem feito neste município desde há muitos anos?!

A que espaço temporal se refere?

Estou a referir-me aos últimos 12 anos, 16 anos.

Recandidatou-se ao terceiro mandato para a presidência da Assembleia Municipal, pela coligação Somos Figueira, e perdeu. Que leitura faz dos resultados eleitorais?

Estava convencido que a coligação tinha capacidade para ganhar, porque tinha melhores candidatos que os adversários, nomeadamente, o PS, que ganhou.

Foi uma boa ideia criar uma coligação que inclui os dois partidos (PPD/PSD e CDS/PP) que, neste momento, mais desgaste acusam no país, por serem Governo?

Os resultados demonstram que a ideia não foi brilhante. (…) Mas, se tivesse tido, nesta opção, capacidade de decisão, se calhar teria decidido o mesmo. É muito fácil fazer prognósticos depois do jogo… | Jot’ Alves

Esta entrevista também pode ser ouvida na íntegra na Foz do Mondego Rádio (99.1FM), esta sexta-feira, às 21H00.

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