Opinião – Dos que partem e queriam ficar…

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RITA RATORita Rato

Nestes dias entre o Natal e o Ano Novo foram várias as peças jornalísticas e reportagens televisivas feitas a partir da plataforma das chegadas e das partidas dos aeroportos de Lisboa e do Porto.

Retratavam as vidas daqueles que regressam para passar o Natal com a família, daqueles pais que recebem os filhos que partiram para fugir ao desemprego, daquele pai que partiu sozinho para fugir à pobreza mas vai acabar por levar toda a família, daquelas famílias inteiras que emigraram levando para muito longe irmãos, filhas, netos, sobrinhos.

Reproduziam angústia, dor, tristeza. Lágrimas dos que ficam e lágrimas dos que partem. Alguém me dizia há tempos que, durante o fascismo praticamente em todas as famílias havia um filho na guerra colonial. Hoje, quase todas as famílias têm um filho desempregado ou emigrado.

Estes tempos que vivemos são de retrocesso profundo. Retrocesso imposto em tempo record e com consequências dramáticas na vida da esmagadora maioria dos portugueses. No último ano cerca de 120 mil portugueses emigraram, foram tentar uma vida melhor lá fora porque no seu país estava a tornar-se insustentável.

Mas eis que, no dia 1 de Janeiro o Prof. Cavaco Silva nos entra casa adentro para chorar lágrimas de crocodilo pelos “muitos jovens que tiveram que procurar no estrangeiro oportunidade de futuro que não encontraram no seu país”, pelos “portugueses com idade entre os 45-65 anos foram duramente atingidos na sua dignidade”, elogia aqueles que fizeram “ouvir a sua voz por uma mais justa distribuição dos sacrifícios”.

Se por momentos pensássemos que as lágrimas eram sentidas e não de crocodilo, teríamos que relembrar Sua Excelência que é responsável direto pela situação do país, porque se comporta como membro do Governo PSD/CDS e não como fiscalizador do cumprimento da Constituição. Porque mantém no poder um Governo que desgoverna o país à margem da lei fundamental com o objetivo de concentrar a riqueza em meia dúzia de escandalosas fortunas e atirar para a pobreza milhares de famílias.

No último ano, os trabalhadores, os jovens, as mulheres, os idosos saíram à rua em pequenas e enormes lutas exigindo uma mais justa distribuição da riqueza, e não de sacrifícios como diz Cavaco. Estas mulheres e homens escreveram com a sua coragem e determinação mais uma página heróica da luta do povo português. Exigiram nas ruas a demissão do Governo e a derrota desta política da Troika, subscrita por PS, PSD e CDS. Defenderam a Constituição e lutaram por uma política patriótica e de esquerda, para que todos aqueles que saíram do país possam regressar e contribuir para a construção de um Portugal mais justo, desenvolvido e soberano.

 

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