Diário do presidente da câmara de Penacova: Trabalhador de afetos

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Foto Luís Carregã

Foto Luís Carregã

Quando o dia de trabalho começa na câmara, Humberto Oliveira passa primeiro pelo Café Beirão. Há que pôr a conversa em dia, o que, nesta quinta-feira, faz a meias com o advogado Fernando Lopes e o desenhador e leitor do DN, Manuel Feio.

Desta vez, o repórter intruso quebra a rotina e aventura-se a provar uma nevada. Deliciosa, por sinal, ou não sejam os pastéis de ovos e açúcar peneirado uma especialidade feita em casa de Luís Menezes, o dono do café.

Acompanhar o presidente da câmara nas ruas, nos cafés e um pouco por todo o concelho de Penacova é um exercício de permanente descoberta. A simpatia, o sorriso franco, a simplicidade e o afeto que Humberto Oliveira transmite em cada encontro, em cada cumprimento, em cada paragem são uma imagem de marca.

Veja-se esta longa e fresca travessia do Largo Alberto Leitão, agora requalificado. Encontra um, encontra outro e é sempre uma alegria. A certa altura, já no guarda-vento, à entrada dos Paços do Concelho, chega-se uma mulher de passo apressado e atira: Ó senhor presidente, veja lá se arranja maneira de a camioneta que agora sobe ali pela Cheira fazer uma paragem lá em baixo, no princípio da subida! O pedido tem toda a razão de ser.

Com isto, já passa bem das nove e meia quando Humberto Oliveira entra no gabinete. Curioso recanto, este, talvez com a vista mais extraordinária de todos os gabinetes de presidente de câmara mas acanhado como nenhum outro em que o repórter tenha já entrado. Não admira, por isso, que se acumulem papéis na tolhida secretária e na pequena mesa de reuniões…

Nesta quinta-feira, a habitual secretária, Cristina Oliveira, está ausente. Em seu lugar está Patrícia. O presidente, porém, não abdica da agenda manuscrita no seu caderno de argolas.

Contra o fecho das Finanças

Lá está, por exemplo, a nota de uma reunião com o chefe de Finanças de Penacova, António Marques, a quem o presidente da câmara dá conta das iniciativas conjuntas, envolvendo dezenas de autarquias “ameaçadas” com o fecho dos serviços de Finanças. Há dias, aliás, houve um encontro promovido pelo seu homólogo de Castelo de Paiva, onde encontrou, entre muitos outros, os colegas de Arganil, da Mealhada e de Pedógão Grande.

A Câmara de Penacova, recorde-se, é uma das entidades locais que se associaram ao lançamento de uma petição pública, a ser levada à Assembleia da República, contra o fecho da repartição concelhia. A petição continua, aliás, aberta à subscrição pública e, para além das Finanças, faz também alusão aos efeitos do fecho de outros serviços públicos.

Fala-se de serviços públicos e vem logo à baila o novo tribunal. Ali ao lado da câmara, o velho edifício continua a receber julgamentos. O novo, já pronto, continua vazio. Curiosamente, na véspera, Humberto Oliveira assinara o procedimento para a compra do mobiliário novo, no valor de mais de 21 mil euros. Mas não tem ideia de quando haverá mudança.

De regresso à rua, o destino faz Humberto cruzar-se com o pai e com a mãe. É tempo para recordar aniversários mais ou menos tristes, como o da morte da avó Beatriz e o do nascimento do avô Abílio. E é também a oportunidade para lembrar a quem pouco tempo tem que para a família há que descobrir tempo.

Então até um dia destes, que a próxima etapa é, agora, na Biblioteca Municipal. Quem conhece sabe que o caminho empina mas o entusiasmo não esmorece. Lá no alto, o presidente encontra um e mais outro autocarro camarários cheios de petizes que vêm de aldeias periféricas, rumo à festa de Natal das escolas.

 

Escola de artes a caminho

Antes, porém, a agenda contempla mais uma reunião. Fernanda Veiga, vereadora da Cultura, é a anfitriã da sessão, que envolve também o presidente e o vice-presidente, João Azadinho, que é também vereador da Educação.

O objetivo é ouvir e avaliar uma invulgar e interessantíssima proposta de Paulo Almeida, professor no Conservatório de Música de Coimbra e maestro da Banda de Lorvão, que quer criar uma Escola de Artes no concelho de Penacova.

A ideia é avançar com parcerias com as filarmónicas, evitando assim o pesado investimento em instrumentos. Subsiste, porém, uma dúvida: onde fazer a sede da escola? No Lorvão, onde o mosteiro e os seu enormes espaços dão para múltiplos aproveitamentos? Na Casa do Povo? Numa antiga escola primária, à entrada da vila?

Os autarcas perguntam. Paulo Almeida responde. Em conjunto, avançam prós e contras. Até que, pouco depois das 11 da manhã, Humberto Oliveira e João Azadinho têm de sair. Espera-os a tal Festa de Natal das crianças, no auditório da biblioteca, dois pisos mais abaixo.

Entretanto chega o meio-dia e é preciso retomar a reunião. E, já agora, participar numa ação de formação de técnicos camarários sobre acessibilidades inclusivas e agendar uma reunião com a secção de obras.

 

Ao lado das empresas

A fome aperta mas há ainda uma deslocação ao parque empresarial de Alagoa. Aqui, numa enorme nave, já é visível um cenário de fabricação de equipamentos para a indústria pesada. À espera de Humberto Oliveira, agora acompanhado do arquiteto Vasco Santos, estão os sócios-gerentes da JTSL. São eles José Terroso e Aníbal Lopes – o terceiro é Cassiano Lopes, que está no estrangeiro.

A empresa metalomecânica está, ainda, a laborar na Pampilhosa mas deverá em breve completar a deslocalização. Os seus clientes são cimenteiras, celuloses, aglomerados de madeira ou siderurgias – é, aliás, para uma grande fábrica de aço, na Bielorrússia, que está em curso uma encomenda de grande volume. Talvez por isso o emprego esteja, por ora, em alta, na JTSL.

Uma espreitadela em redor permite, entretanto, dar conta de novas empresas a nascer no parque. São os casos da Extinrico, de equipamentos de segurança, da Fernandes&Henriques, de comercialização de azeites, e da Penacorte, ligado à exploração florestal. O que ainda não se vê é mesmo o tão desejado acesso ao IP3, que a câmara continua a negociar com a Estradas de Portugal.

Pronto, chegou a hora dos robalos no forno, de que se fala ao lado. Já a digestão é feita… a água. É que Humberto Oliveira tem ainda uma visita a fazer, nas Águas de Penacova, onde está quase pronto um novo pavilhão para armazém. No local, o administrador da empresa, Urbano Marques, não esconde a pressa em ver a obra pronta… até porque, no horizonte, está já um outro empreendimento, bem mais relevante: a ampliação da linha de montagem, que vai implicar um investimento da ordem dos dois milhões de euros e exigir uma paragem na laboração, já a partir de 15 de janeiro.

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