Opinião – “Que bem prega Frei Tomás!”

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04 MARCELO NUNO LC  (9)Marcelo Nuno

Resolveu o Dr. Machado, na sua qualidade de recandidato a presidente da CMC, dar um ar da sua graça e dizer mais um conjunto de disparates.

Afirma o Dr. Machado que “é um escândalo que tem passado impune: Coimbra paga a água e o saneamento duas vezes mais caro do que em 2001, quando Encarnação e Barbosa de Melo ganharam a Câmara”. “É preciso racionalizar esse custo”.

O Dr. Machado não sabe que os serviços de água e saneamento estão obrigados a fazer a cobertura integral dos seus custos (incluído os custos de reposição do investimento) através das tarifas que aplicam.

Não imagina sequer que de entre as empresas e serviços municipais que cumprem com esta determinação, Coimbra é das que tem a água mais barata. Mas bastaria dar um saltinho aqui ao lado, a Aveiro, Leiria, ou até mesmo à Figueira da Foz para melhorar a sua base de conhecimento nesta matéria.

Já não se lembra também que deixou o concelho com uma taxa de cobertura de saneamento de 74% e que, 12 anos depois, essa cobertura é de 96%. Que os 4% restantes têm hoje soluções individuais, ambientalmente adequadas e economicamente sustentáveis.

O Dr. Machado nem sonha que durante estes 12 anos o município, através da AC, investiu cerca de 94 milhões de euros (só entre 2001 e 2012 ) na expansão e requalificação da rede água e saneamento do concelho (por comparação com os 46 milhões de euros investidos pelo Dr. Machado entre 1990 e 2000 ). Portanto investiu, aqui sim, o dobro do que se investiu no tempo do Dr. Machado (e sem a mesma disponibilidade de fundos comunitários)!

O Dr. Machado desconhece por completo que por cada euro cobrado pela AC aos seus consumidores, 60 cêntimos são para pagar a água fornecida pela Águas do Mondego ao município de Coimbra. A memória do Dr. Machado já não lhe permite recordar que cada cêntimo de prejuízo que a empresa gerar é pago, através do erário público municipal, por todos os cidadãos do concelho, independentemente dos seus consumos, da sua natureza, do número de pessoas do agregado familiar ou do tipo de uso que damos à água, penalizando assim as famílias (em especial as mais numerosas) e os que mais parcimoniosamente consomem água e beneficiando, por exemplo, as instituições públicas e os que consomem mais água enchendo piscinas e regando grandes jardins.

O Dr. Machado não faz a mais pequena ideia de como mudou o quadro normativo e legal a que estão sujeitas as entidades gestoras e de como são incomparavelmente mais exigentes e rigorosas as condições em que devem prestar os seus serviços hoje, 12 anos depois do seu tempo.

O esquecimento do recandidato chega a ser anedótico quando diz que quer “fazer guerra ao desperdício” mas se esquece de dizer que o nível de perdas no tempo em que era presidente da câmara era superior a 40% e que é hoje de cerca de 16,5%, um nível considerado próximo do óptimo económico (isto é, o valor a partir do qual o custo a suportar pela diminuição de perdas é superior ao benefício decorrente da sua diminuição).

Como espelho do desperdício de que fala o Dr. Machado (podíamos ilustrar com inúmeros exemplos equivalentes), o número de ropturas na via pública no ano 2000 foi de 802 por comparação com as 174 do ano passado. Uma diminuição de aproximadamente 630, ou seja de quase 80%. Não é preciso ser economista para perceber que o Dr. Machado fala de cátedra sobre desperdício!

Quando fala em má gestão, o Dr. Machado esquece-se que, só nos últimos 3 anos do seu mandato entraram nos então SMASC 76 pessoas! Por oposição ao desmando do seu tempo (e arbítrio da sua vontade), nos últimos 4 anos saíram 40 pessoas sem que tenha havido uma única contratação.

Fazendo uma conta simples (e não é preciso ser economista para a saberem fazer) verifica-se que, se se mantivesse a massa salarial herdada do tempo do Dr. Machado, a preços actuais (e sem qualquer actualização salarial durante 12 anos), o custo de pessoal da empresa seria hoje 1,8 milhões de euros superior, isto é cerca de 36% acima do que se verifica. O aumento tarifário para acomodar este sobre custo seria de aproximadamente 10%. A deriva demagógica do Dr. Machado ignora também que o investimento necessário para garantir saneamento enterrado aos restantes 4% de fogos do concelho (em vez das soluções individualizadas actualmente existentes), ascende a cerca de 20 milhões de euros que, ou são pagos por todos através do erário municipal, ou através de um aumento tarifário verdadeiramente selvagem. É só fazer as continhas.

Eu sei que o Dr. Machado anda muito, muito esquecido. Talvez já nem tenha a pachorra e a disponibilidade para se documentar nem a disposição para pesquisar e para se actualizar. Porventura já terá alguma dificuldade em perceber a vertiginosa mudança do mundo à sua volta e custar-lhe-á acompanhar o ritmo dos tempos agitados e desafiantes que vivemos. Devia por isso escolher melhor os assessores/conselheiros de modo a evitar o disparate – que não fica bem a ninguém, mas que, de tão evidente, é preocupante num candidato a presidente da Câmara de Coimbra.

7 Comments

  1. Finalmente alguém relembra ao Dr. Machado os desmandos do seu tempo. Mas certamente amanhã o Dr. Machado promete que vai pôr nas condutas água com sabores a fruta por metade do preço.

  2. Pedro Mendes says:

    Que grande texto…!!
    Pelo andar da carruagem de promessas do Manuel Machado, ainda promete uma freguesia de Coimbra na Lua!! E se isso não acontecer, a culpa é do Barbosa de Melo…

  3. Henrique Costa says:

    É certo que o Dr. Machado ou meter-se com o Marcelo Nuno na área que o MN domina, só pode significar duas coisas, ou que percebe muitíssimo da gestão da água ou esta-se nas tintas em ser humilhado publicamente. Eu já desconfiava da segunda… No entanto, quando recebi a factura deste mês com 150€ de água para pagar… deixei de acreditar nas qualidades de gestão de MN… e todo este seu discurso sabe-me a "engenharia aquífera"! Quando ele diz que 60% vai para quem fornece a água… que até é a natureza que dá quando o maior custo está na distribuição porta a porta…

  4. Pedro Sousa says:

    Sr. Henrique, na próxima não encha a piscina de água e assim já não se pode queixar de pagar 150€. As capacidades de gestão de MN estão amplamente reconhecidas pelos munícipes de coimbra. Não sei se sabe mas pela primeira vez, um operador não regulado foi distinguido pela qualidade do serviço prestado. è isso mesmo, as Águas de Coimbra, receberam o prémio “Qualidade de serviço de abastecimento público de água prestado aos utilizadores”. pela 2ª vez em 3 anos. Para além disso o saneamento financeiro da empresa que tem feito muito mais com menos recursos, quer humanos quer financeiros só demonstra a capacidade de gestão de MN. falar e por em causa coisas óbvias, é um erro que só quem tem duas palas se pode dar ao luxo de cometer.

  5. Cidadão de Coimbra says:

    Confesso que não conheço aprofundadamente as leis da água e das empresas ou serviços que a fornecem. O Dr. Marcelo Nuno conhece-as bem, com certeza.
    Também concordo que a água não devia ter um preço tão elevado. É um bem essencial.
    Mas também sei que há muita gente que não respeita este bem essencial, e o desperdiça.
    Recordo-me de quando não tinha água em casa, e tínhamos de a ir buscar à fonte, com cântaros, para beber, cozinhar e lavar. Era duro e de higiéne muito duvidosa…
    Hoje estamos, de facto, bem servidos, em termos de taxa de cobertura e qualidade!
    Se há condições para ser mais barato, que o seja! A água, bem essencial, e público, não pode ser usada para enriquecer ninguém.

    Mas, de facto, o Dr. Machado, que fez muitas coisas boas, e más, no seu tempo, parece-me muito "desfasado" da realidade dos dias de hoje! Não só neste assunto, mas em muitas matérias sobre as quais tem opinado (derrama, etc.).
    Penso que não está ciente da evolução que a legislação teve, e da transparência que, hoje em dia, é exigida e todos merecemos!

    Obrigado, Dr. Marcelo, pelos sábios esclarecimentos! A sua elevada competência tem sido demontrada nos vários serviços públicos por onde tem passado. MAS, se o preço da água pode baixar, faça-nos o favor!…

  6. João Martins says:

    Não me identifico com as ideologias que norteiam a candidatura de um "Velho do Restelo", com o devido respeito pela pessoa mas pelo agrado da definição.
    Não me identifico porque entendo a sociedade actual (não me refiro somente a Coimbra, mas à região, ao país, à Europa e extra linhas) necessita de gente nova (mas com experiencia), gente com ideias, com a ambição de as realizar e concretizar, com formação não apenas cientifica ou de formação mas de qualidades humanas, racionais, éticas e com os principios da verdade, da coerencia, da lógica social e económica, etc, etc, etc.
    Mas permitam-me dizer que, a menos lógica de assegurar a evolução de uma qualquer empresa com as premissas correctas de sustentabilidade, de assegurar a importancia no mercado local, regional e mesmo nacional, na procura de condições para garantir um numero minimo de tecnicos que asseguram o crescimento pretendido, não justifica o menosprezo pelos valores humanos e sociais, pelos valores financeiros coerentes ou equilibrados que garantam as condições minimas ao ultimo consumidor, que permitam a este ser igualmente ter "condições sustentáveis"……
    Residir num concelho vizinho e, por razões de "crescimento familiar" optar por voltar a viver no concelho de coimbra, trouxe não só despesas de razão de "sustentabilidade familiar" como despesas avultadas na facturação do tratamento de resíduos, sem falar nos custos de m3 da água. "Valha-nos ser de boa qualidade. Do mal o menos". Importará ou terá alteração significativa pagar um cartão social de familias numerosas na expectativa que isso traga beneficios nas despesas da água? Não. Talvez a Câmara desejada pelo "senhor" agora "reciclado" tenha a ganhar com isso.
    Apetece dizer em suma: não ha necessidade das empresas crescerem tanto, se o beneficio directo não se demonstrar na sociedade em geral e apenas se evidenciar no crescimento "interno" ou nas condecorações por "mérito" que os presidentes da republica atribuem…

    Desculpem.

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