Opinião – Ponto de partida

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PAULO VALÉRIOPaulo Valério

O primeiro comentário que a classificação da Universidade de Coimbra como Património da Humanidade me suscitou foi o de estarmos perante um excelente ponto de partida. Não é por cinismo, mas por cautela.

Por um lado, nos últimos anos tenho assistido a euforias imensas, daquelas que se apagam como um fósforo. Por outro, bem vistas as coisas, esta classificação, por si só, esta longe de prometer a Coimbra aquilo de que Coimbra precisa.

Vistas as coisas como elas são, o galardão coloca a centenária Universidade de Coimbra “ao nível” do Mosteiro de Alcobaça ( 1989 ), da Arte Rupestre do Vale do Côa ( 1998 ), ou da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico ( 2012 ). Também os Centros Históricos do Porto e de Guimarães já tinham sido antes agraciados. E, assim vistas as coisas, também parece não haver razão para grandes euforias.

Basta atravessar o Mondego, ou a fronteira, ou mesmo o Atlântico, para perceber que a Universidade de Coimbra estava à frente dos demais patrimónios lusitanos da humanidade, antes mesmo de ter o “papel passado”. E que pouco daquilo que a Universidade (e a cidade) não tenha feito até agora, alcançará por decreto, a partir daqui.

Foi bonita a festa, é bem verdade, mas pela manhã espera-nos um mar de coisas para fazer. Daquelas que ninguém, nem a UNESCO, poderá fazer por nós.

 

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