Opinião – O SNS do dr. Paulo Macedo

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19 carlos cortes

Nestes últimos anos têm coexistido duas visões distintas do Serviço Nacional de Saúde.
Por um lado, aquela que todos nós conhecemos e que tem sido o motivo de satisfação em Portugal e de elogios no resto do mundo e, por outro lado, aquela que está a ser construída pelo Dr. Paulo Macedo, atual Ministro da Saúde.Infelizmente a 2.ª está gradualmente a destruir a 1.ª, já que têm objectivos antagónicos.
O SNS, criado em 1979, tem mantido uma forte coerência apesar das diferentes alterações e transformações necessárias de que tem sido alvo.
Esta constatação não é, em si, objeto de nenhuma polémica, já que o SNS deve ter a capacidade de se adaptar à evolução da sociedade, integrar a modernização dos meios que tem a sua disposição e incorporar a evolução científica permanente.
O SNS deve ser capaz de oferecer, a cada momento, a resposta mais adequada.
Mas o que é verdadeiramente preocupante é o aparecimento de um paradigma novo decorrente da adulteração imposta ao SNS e ao espírito de universalidade e equidade que lhe está subjacente.
Hoje, o SNS deixou de estar, principalmente, ao serviço da população. O doente deixou de ser o ponto central de um sistema criado especificamente para ele. A preocupação maior já não é a acessibilidade à prestação de cuidados de saúde, já não é o desenvolvimento das respostas mais adequadas perante a doença, já não é a aposta em recursos técnicos e humanos qualificados.
O orçamento destinado ao SNS serve, neste momento, para resolver as consequências de políticas erradas e incompetentes incapazes de responder à grave crise que atravessamos.
Hoje, o SNS está ao serviço do Ministério das Finanças.
O estrangulamento dos serviços tem como objectivo colmatar as ineficiências financeiras consequentes da má gestão de outros sectores da sociedade.
Hipocritamente, tem sido desenvolvida a ideia de um SNS despesista até mesmo responsável por parte da crise financeira e económica.
A realidade é que vivemos num país onde o fármaco indicado não é um medicamento de qualidade mas sim o mais barato, um bom serviço hospitalar não é aquele que dá uma resposta eficiente mas sim aquele que sobrevive subfinanciado, um bom profissional não é um profissional competente, interessado e cumpridor mas sim um profissional obrigado a emigrar, a diferenciação técnica dos profissionais deixou de ser valorizada aplicando-se o critério da mão de obra mais barata mesmo quando tal contraria as boas práticas.
Este balanço é perverso e contribui para a progressiva destruição do sistema público de saúde.
Há tempos, alguém dizia que o hospital ideal seria um hospital sem doentes.
Para o Dr. Paulo Macedo, um país ideal é um país sem SNS, sem médicos, sem enfermeiros, sem profissionais de saúde e sem hospitais públicos. Um país onde o Estado deixa de ter qualquer responsabilidade na Saúde.
Infelizmente este processo, que agora culmina, começou há mais de uma década e foi executado por vários responsáveis políticos.
Cabe-nos a todos defender o sistema de saúde público!

9 Comments

  1. O Ministro Paulo Macedo é só o melhor ministro da saúde que Portugal já teve.
    Vexa deveria em vez de opinar, ir para os bancos da escola aprender algo de jeito.
    passe bem.

  2. Excelente artigo de opinião. Vou divulgar.

  3. Manuel Alegre says:

    Eleições para as corporações à porta, toca a dizer mal do poder… É sempre assim, resta esperar pelo mesmo fôlego quando o governo for PS!

  4. Mário Soares says:

    Caro camarada Cortes. Folgo em vê-lo tão activo. É isso mesmo! Temos de os denunciar em todo o lado para que possamos rapidamente voltar a pôr em prática o plano do camarada Correio de Campos! Um abraço!

  5. João Março says:

    Não à destrução do SNS. Este é um problema que diz respeito a todos nós. Haja coragem de por fim a esta desgraça!

  6. Henrique Costa says:

    Antes da destruição do Serviço Nacional de Saúde, as pessoas da região deveriam-se era preocupar com a destruição do serviço em Coimbra! Não há-de tardar muito para o CHUC ser uma ainda mais pequena sombra do que já foi e, muito provavelmente o curso de Medicina na UC fechado. Isto com PSD e PS!!! Basta olhar para o que foi feito já no tempo do Sócrates e agora continuado por Passo Coelho graças há selecção critiriosa dos administradores… campeões do afundanço!

    • Carlos Cortes says:

      Caro Henrique Costa,
      este artigo foi escrito para relatar uma situação atual sobre o SNS. Não desculpa, de forma nenhuma, a atuação de governantes no passado, bem pelo contrário, tenho sido crítico à forma como tem sido conduzido os destinos da saúde desde há uma década, pelo menos. Expliquei isso no próprio artigo. Ninguém é dono do SNS, nem personalidades, nem partidos. A situação que refere, sobre a fusão que criou o CHUC é mais um problema integrante do SNS, já muito se tem escrito sobre esse tema e também já me prenunciei várias vezes sobre ele. A esse respeito, em Julho 2012, escrevi uma carta de princípios "CHUC: Fusão ou conFusão?" que foi enviada para as organizações médicas e apresentada em reunião geral de médicos em Coimbra, posteriormente foi dado conhecimento à Direção Clínica do CHUC. Posso disponibilizar-lhe o documento, caso seja do seu interesse, basta pedir-mo para cdcortes@iol.pt.
      Cumprimentos.
      Carlos Cortes.

  7. Sr Dr Carlos Cortes, parabéns pela sua frontalidade e coragem! Tem de haver mais vozes como a sua. A nossa saúde está em primeiro lugar, há demasiado tempo que deixaram de pensar nela. O pior é que são todos iguais, um pior que o outro! Algo tem de mudar e rapido!!!!!

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