Opinião – Finalmente, medalha cultural para a OCC

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MARIO NUNESMário Nunes

Ficámos satisfeitos e contentes pela deliberação do executivo municipal de 17 do corrente, em que aprovou a proposta apresentada pelo vereador socialista, Rui Duarte, de atribuir a Medalha de Mérito Cultural à nossa Orquestra Clássica do Centro. Um galardão que vem reconhecer o trabalho desenvolvido, há mais de uma década pela instituição, em prol da cultura musical e do social, com consequências benéficas para a cidade e a sociedade, afirmando que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, como escreveu Fernando Pessoa. O estoicismo, a dinâmica, a esperança e a entrega sem desfalecimentos a uma causa que é de nós todos, que pertence aos homens e que, como refere a presidente, Drª. Emília Martins, “não desistir de resistir”, obteve, finalmente, um olhar cultural de uma vereação que viu para além do umbigo.

Se no ano passado, quando a orquestra celebrara, já, o décimo aniversário, pugnámos pela atribuição do mérito cultural, atendendo a que a instituição se equiparava a outras medalhas então atribuídas, hoje sentimos que o merecido e justo prémio chegou ainda em boa hora à sua destinatária. Como diz o ditado “ mais vale tarde do que nunca”. Por isso, elogiamos o autor da proposta e sublinhamos a resposta positiva do presidente e dos vereadores que carimbaram a iniciativa. Cumpriu-se um dever e funcionou, mais uma vez, a democracia. E, quando assim acontece, assistimos a momentos de nobreza que resultam da análise e do reconhecimento de quem detém o poder e que validou os valores que constroem a sociedade e contribuem para a dignificação e enriquecimento do homem. Na hora da assunção das responsabilidades perante os cidadãos, os eleitos não podem hesitar em cumprir, com dignidade, os direitos e os deveres que lhe foram outorgados no sufrágio eleitoral: servir a “res publica”, independentemente de quem beneficia dessa decisão.

Quanto ao mérito da Orquestra Clássica do Centro não será necessário evidenciá-lo, porque o currículo que a abona, desde os diversificados e numerosos programas e atividades da sua especificidade, que elabora e pôe em prática, até aos de solidariedade e de cultura, em geral, que realiza e apoia, testemunham o labor louvável, pedagógico e social que dedica às causas do homem. E, como as coisas boas deixam cicatrizes na memória das pessoas (só não vê, quem é cego) a OCC marcou, nestes anos de vida, o panorama musical conimbricense, regional e nacional. Apesar de ser exportadora de riquezas musicais/culturais de Coimbra como escreveu o maestro Virgílio Caseiro, nem todos os dirigentes de instituições citadinas entendem a mensagem e conhecem a sua grandeza, pois optam, quantas vezes, pelo exterior quando têm melhor dentro de casa. Mas …

A concluir, queremos felicitar os elementos dos Corpos Sociais da OCC na pessoa da incansável Emília Martins, reconhecendo que quando o amor é verdadeiro e a disponibilidade é total e sem contrapartidas, a recompensa espiritual está presente e abraça a beleza de amar. A OCC soube ultrapassar as incompreensões e os desânimos que lhe atapetaram o percurso, e caminha, agora, mais confiante, embora mais responsabilizada, procurando atingir o pleno que regista nos objetivos da sua fundação. Parabéns.

 

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