Opinião – Relações científicas internacionais

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AIRES ANTUNES DINIS

Aires Antunes Diniz

Agora que estou quase de regresso do meu périplo pelo Brasil, onde fui investigar, fazer uma comunicação, participar no lançamento de um livro luso-brasileiro, em que sou coordenador e coautor, tenho a sensação de ter sido útil.

Integro-me assim numa tradição de cooperação científica, onde se ganha cooperando com outros povos. Desejava que tudo o que faço e fiz, fosse como “a ação do Prof. Carriço (que) como Diretor do Instituto Botânico de Coimbra fez-se sentir profundamente no desenvolvimento do ensino, da investigação e das relações com o estrangeiro” 1.

Infelizmente, sofremos uma governação que nos empobrece e nos limita nesta ação individual meritória, fazendo-nos reduzir involuntariamente o nosso contributo para a afirmação da cultura e da ciência portuguesa.

Nada de estranhar.

De facto, num livro oferecido por um amigo, reencontrei-me com o drama de Camões, que escreveu os Lusíadas sem que lho pedissem…e sem que o recompensassem. Contudo, trata-se de um documento literário que atesta a nossa grandeza como povo. Comprova também que “O fraco rei faz fraca a forte gente”, como o afirma Camões, pois a nossa Pátria perdeu a Independência em 1580 como resultado de uma governação desastrosa. Concluindo Camões que: “Os bons vi sempre passar/ No mundo graves tormentos;/ E para mais me espantar/ Os maus vi sempre nadar/ Em mar de contentamentos”.

Foi com um espanto já habituado a este comportamento que, alguns internautas, criticaram a omissão de qualquer referência a José Saramago pelo atual presidente da República na sua visita recente à Colômbia. Não se esqueceu de falar de Camões.

Comprovando como “qualquer fraco rei faz fraca a forte gente”, os governos de Sócrates e Passos Coelho/Portas meteram o povo português numa alhada perigosa, em que sentimos a continuada degradação da nossa vida pessoal. O primeiro anda agora a refazer a narrativa dos seus feitos, o segundo vai fazendo no dia-a-dia uma manipulação do real em que já pouca gente acredita.

Deviam os partidos a que pertencem, com o apoio pedagógico do professor Cavaco Silva, analisar as razões que levam à perda de tantos valores técnicos e científicos e à continuada má gestão de tantos recursos humanos de grande valia, que se espalham mais uma vez pelo mundo. E, voluntariamente, indemnizar o Povo Português.

De facto, no momento em que parti, sabia-se que o sistema bancário português apelava à redução de pessoal, assim como se sabia da falência de algumas grandes empresas nacionais e internacionais. Um email gaulês falava-me de alternativas económicas e da crise que aflige a França e, implicitamente, da necessidade de repensar a teoria económica, já que a sua refundação pelo pensamento neoliberal falhou.

E como o contacto com o Brasil como um BRIC me deu novas ideias, delas darei conta.

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