Opinião – Associação hepatites e a solidariedade

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MARIO NUNESMário Nunes

O país, com tantas opiniões contraditórias, minado pela divulgação de tão diversos e diários comentários de “lídimos” comentadores, acrescido das incertezas, expectativas e informações de roupagem, por vezes, aterradoras, em que o “Concílio dos Deuses” se reúne, periodicamente, para nada dizer ou fazer (amena cavaqueira entre “amigos”), possui, também, neste somatório de angústia, de tristeza, de desânimo e de privilegiada elite, pessoas que sem protagonismo, nem luzes da ribalta, devotam a sua vida a favor do semelhante. Voluntários sempre disponíveis para apoiar as causas que tornam menos sombria a vida do homem. E, felizmente, neste Portugal de brandos e exemplares costumes, onde reside, ainda, a hospitalidade, a amizade ao próximo e a disponibilidade para reduzir a miséria, a fome, a solidão, a pobreza e a doença dos abandonados e sofredores sem recursos para aliviar a dor, encontramos milhares de voluntários, verdadeiros samaritanos que se privam dos tempos livres e do descanso para ajudar os necessitados. O seu número aumenta à medida que a desesperança se instala nas famílias como lapa agarrada à rocha. E, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística houve, em 2012, um milhão e quatrocentos mil portugueses, com 15 ou mais anos, que realizou, em média, 29 horas/mês, na atividade voluntária em prol do cidadão, sem olhar a credos, raças ou nacionalidades.

Esta introdução serve para ilustrar o trabalho da Associação SOS Hepatites, com pólo em Coimbra, que desde 2008, com a coragem e a determinação dos seus voluntários, tem levado a efeito uma campanha de sensibilização e ação para combater a doença que mina milhares de cidadãos e que alastra quando as condições económicas e financeiras do portador não permitem que elimine o mal. Associação que se entrega a ajudar e menorizar ou eliminar a doença num rasgo de solidariedade, que testemunha, perante os hipócritas que falam de solidariedade, que esta não é uma palavra vã, mas que é abraçada por gente que a pratica em pleno.

No sábado, no histórico café Santa Cruz, a comemorar os 90 anos da sua fundação, a SOS Hepatites, sob a direção da incansável Graça Franco, a que se aliaram voluntários músicos do fado, da canção de Coimbra, jograis do Bonifrates e outros colaboradores, realizou-se um serão de solidariedade, que além de demonstrar o valor da prevenção para evitar as hepatites, teve outro gesto de solidariedade ao receber dádivas destinadas a outra associação de carater social, a Integrar, com quem assinou um protocolo de cooperação. Uma noite de amor ao próximo que, apesar da chuva e frio, congregou naquele espaço emblemático de Coimbra, sempre aberto às iniciativas culturais, sociais e outras, dezenas de pessoas que usufruíram do valor do convívio cultural e da alegria de partilhar momentos de ajuda aos que precisam.

SOS Hepatites, associação sem fins lucrativos, com a missão principal de defesa dos interesses e dos direitos dos doentes infetados por hepatites virais, através da prestação de apoio, consciencialização da população para esta doença, relacionamento com os profissionais da saúde, atuação junto de grupos de alto risco de infeção, combate ao preconceito e discriminação, e outras boas práticas. Um conjunto de atos que valida a riqueza da generosidade humana.

Num mundo egoísta em que o lucro e o acumular de fortunas espezinha e aniquila o homem dependente dos usurários, poderosos e desumanos, é consolador encontrar pessoas que, sem contrapartidas, se mobilizam para servir, com amor, a sociedade, exemplo da SOS Hepatites.

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