Opinião – Um inverno prolongado

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João Vaz

O ano passado tivemos o inverno mais seco de sempre, de janeiro a março não choveu. Este ano aconteceu o oposto, muita chuva, “mau tempo”, incluindo dias de tempestade com vento persistente e forte. Aliás, sucedem-se por todo o país eventos meteorológicos extremos e inéditos: tornados, chuvas torrenciais, aumento significativo do número médio de dias com temperaturas muito altas e baixas.

Em toda a Europa, o inverno de 2013 foi longo e muito frio. A ciência explica a persistência destas condições através da mudança da “corrente do jato” (jet stream), uma corrente de ar troposférica que corre de oeste para leste e que condiciona o estado do tempo. Esta corrente de ar perdeu força devido ao degelo do Ártico, provocando o “imobilismo” dos fenómenos meteorológicos. Confirmando-se assim as previsões de setembro de 2012, quando enormes quantidades de gelo derreteram no Ártico.

A água do Oceano aqueceu ao ficar exposta ao sol devido ao desaparecimento do gelo, proporcionando um feedback positivo: água mais quente irá derreter mais gelo. Os fenómenos descritos levaram a que em 30 anos o Ártico perdesse 50 por cento do gelo, uma consequência inequívoca das alterações climáticas provocadas pelo Homem.

Os extremos meteorológicos são já uma realidade e não o futuro distante. Devemos criar estratégias de mitigação, também a nível local, e repensar o nosso modo de vida, se queremos que a Terra continue a ser um planeta habitável pelos nossos bisnetos.

 

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