Opinião – Não se trata de chumbo

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15072010 JOSE COUTO PRESIDENTE DO CONSELHO EMPRESARIAL DO CENTRO

José Couto

A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota.

(Sun Tzu)

Não podemos falar em chumbo do tribunal Constitucional, trata-se de uma retificação ao Orçamento do Estado, porque chumbo seria os 4 mil milhões, o que não deixa de ser um acontecimento que transforma 2013 num ano crucial.

Está tudo em cima da mesa porque vai ter que existir um Orçamento Retificativo, que espelhará as opções políticas e económicas: poderemos ter um orçamento com mais economia e que estimule a atividade produtiva nacional, que permita a sobrevivência dos negócios e pare a erosão do emprego; podemos ter uma continuada política de austeridade baseada no princípio que das cinzas nos reergueremos; ou uma alternativa que sirva para calar uns e outros, que pecará por criar o ambiente que permite podermos continuar a tirar uma fotografia aceitável nas cimeiras da Europa e internamente para a coligação sobreviver.

Era um dado conhecido de todos os governantes, mesmo os que não moravam cá, que a Constituição Portuguesa não seria alterada, portanto produzir este orçamento foi uma decisão de alto risco, que pressupunha, como indicam os especialistas em estratégia, gizar um plano B para responder à contingência da sua não validação como argumento para consubstanciar a estratégia definida.

Agora aqui chegados temos um discurso que não se entende, porque sempre o governo teve tudo o que pediu das empresas, dos empresários e dos trabalhadores, sempre teve o espaço para fazer o orçamento que queria, porque a oposição não chegou para contrariar, e da rua veio descontentamento q.b., mas parece que o governo não conhecia as regras e jogou um jogo que não o leva à “gloria”. É que nem o tabuleiro se alterou, nem os dados estão viciados.

E disso foram muitos os que deram conta durante dois anos, que a espiral recessiva era um perigo que as micro empresas não aguentavam, que as famílias iriam sofrer muitíssimo, qua a classe média não tinha músculo financeiro para aguentar os efeitos da austeridade.

Os últimos dados estatísticos dão conta de uma queda das exportações e antecipam, face ao estado prostrado da Europa, uma contração da atividade económica logo mais desemprego.

Ou bem que a confusão em que mergulhamos era esperada, e portanto, o Governo se preparou para ela com uma estratégia sólida que se esqueceu de comunicar e uma tática eficaz que agora desvendará, ou corremos o risco de estarmos já a ouvir o ruído antes da derrota.

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