Opinião – “Chavez vivirá”

Posted by

Paulo Almeida DRPaulo Almeida

Em Portugal, a política está numa fase anti-climax surfista. Está flat. Bué. Enquanto esperamos por um qualquer Canhão da Nazaré, toda a ideia parece inconsequente, por mais barata que seja. Não há dinheiro. Mesmo que seja para poupar algum, não é exequível antes de mandar uma carta à troika. É a austeridade a financiar a estagnação. Tudo em nome de uma suposta responsabilidade que implica não fazer ondas. Not cool.

Em busca de animação política, nada melhor que um domingo eleitoral. Na Venezuela é um espectáculo. “Chavez Vivirá” é o título de uma música da campanha de Nicolás Maduro cantada por Lucia Valentina Barbosa, a “Cantante del Amor” que dizem ser um anjo. Não sei se por ser cega, se por ser uma pequena miúda. Pelo menos, asas não lhe vi. O sucessor de Hugo Chávez tem ainda como apoiante Maradona, idolatrado pela igreja maradoniana, e que já marcou um golo com recurso à mão de Deus. E o próprio Nicolás Maduro garante ter comunicado por assobios com o falecido presidente da Venezuela, que lhe apareceu em forma de um passarinho. Brutal.

Onde é que eu já li que um movimento revolucionário deixou um testamento político, com princípios, uma ideologia e uma Constituição? Foi a Maduro quando agradeceu a Chávez a constitucionalização do processo revolucionário venezuelano. Daqui a alguns anos quando o socialismo estiver realizado na sua plenitude, quando o país estiver na bancarrota apesar do petróleo abundante, não vão deixar de invocar o passarinho Chávez para renovar o espírito constitucionalista revolucionário. Sempre em busca de uma vã renovação da história. Como se chamar os espíritos inundasse de contagiosa alegria constitucional toda uma nação. Para verdadeiramente resolver os problemas devem recorrer à bruxaria.

Para mim, não há como o original. Chávez foi o verdadeiro fruto de uma pobreza que o alimentou e que depois foi por ele alimentada, em vista da sua perpetuação no poder. Para manter em alta a cotação do líder, tratou de eleger um inimigo facilmente identificável: os Estados Unidos da América. Na sua retórica política, chegou a atribuir-lhes a culpa do terramoto no Haiti em 2010. Apesar disso, nunca deixou de fazer avultados negócios com o dito inimigo. O populismo ficava à porta das negociações.

Não é preciso ter poderes de adivinhação para perceber que o maduro sucessor sindicalista vai manter os negócios para financiar o poder. Elegendo a América como o inimigo. Pela segunda vez, o candidato Capriles sentiu na pele que o que existia antes de Chávez (e que o permitiu), prosperou com ele e sobreviveu-lhe. “Chavez vivirá”.

 

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.