Sistema bancário vai viver momentos “muito complicados”

img_708x350$2013_01_28_10_20_55_195204O sub-diretor do Instituto de Formação Bancária no Porto vê com “muita preocupação” o resgate financeiro que está a suceder no Chipre e prevê que o sistema bancário viva momentos “muito complicados” caso a comunidade europeia não tome medidas.

“Não me parece que tenha sido a comunidade europeia, o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Central que tenha alguma vez sugerido uma possibilidade destas ao Chipre. Agora, se assim foi, o sistema bancário, que já está abalado em termos de confiança, poderá viver momentos muito complicados”, declarou à Lusa o sub-diretor do Instituto de Formação Bancária no Porto, Mário Costa.

À margem de um ‘workshop’ sobre “Literacia Financeira”, que decorreu hoje na cidade do Porto, Mário Costa disse que espera “sinceramente que a União Europeia tome medidas relativamente a isto” (resgate financeiro), e assinalou que as pessoas vão pensar em “colocar o dinheiro onde este tipo de ação não aconteça”.

“As pessoas já retiravam o dinheiro para ‘offshores’ para fugir aos impostos, agora temos que fugir, não é dos impostos, mas é do próprio Estado”, disse, sugerindo, num tom sarcástico, que o melhor é colocar o “dinheiro debaixo do colchão” e, depois, “ter cuidado com os ladrões”.

Mário Costa acrescentou que a partir do momento em que os Estados, compulsivamente, “obrigam os cidadãos a pagar, ou seja, vão-lhes às contas”, “as pessoas deixam de confiar nos bancos onde colocam o dinheiro”.

Os políticos cipriotas estarão ainda a negociar alterações às taxas a aplicar sobre os depósitos acordadas com o Eurogrupo e dadas a conhecer na madrugada de sábado, uma das condições para os parceiros internacionais aceitarem emprestar 10 mil milhões de euros ao país.

Em causa poderá estar, segundo várias notícias, uma alteração na taxa a impor sobre os depósitos até 100 mil euros que passaria a ser de 3% ou 3,5% em vez dos 6,75% acordados inicialmente, enquanto a taxa para os depósitos superiores a 100 mil euros passaria de 9,9% para 12,5%. Em discussão poderá também estar uma isenção completa deste imposto para depósitos inferiores a 20 mil ou 25 mil euros, segundo vários relatos de deputados envolvidos nas discussões, não existindo para já comentários oficiais sobre a existência destas discussões.

A votação desta proposta estava prevista inicialmente para domingo, mas tem sido sucessivamente adiada e está agora marcada para terça-feira. O acordo inicial prevê ainda que os depositantes fiquem com ações dos respetivos bancos em troca do corte nos seus depósitos. A taxa deve render 5,8 mil milhões de euros segundo os cálculos iniciais. Um terço dos depósitos no Chipre são de cidadãos ou entidades estrangeiras.

O presidente cipriota disse que os impostos sobre os depósitos bancários no Chipre foram a opção “menos dolorosa” do acordo de resgate ao país por parte da União Europeia.

Os ativos bancários no Chipre são oito vezes maiores que o Produto Interno Bruto do país, onde estão instaladas muitas sociedades ‘off-shore’, que têm beneficiado do baixo nível de impostos.

 

Autor: Agência Lusa

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