PSD acusa PS de fugir ao programa que acordou e de desrespeitar democracia

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Foto Gonçalo Manuel Martins

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A deputada social-democrata Teresa Leal Coelho responsabilizou hoje o PS pelo pedido e pelo programa de ajuda externa aplicado a Portugal e acusou os socialistas de fugirem ao que acordaram e de desrespeitar a democracia.

Sem nunca referir o nome do ex-primeiro-ministro José Sócrates, Teresa Leal Coelho fez uma declaração política na Assembleia da República centrada no período final da governação do PS, quando foi pedido um resgate que implicou um programa assinado também pelo PSD e pelo CDS-PP, e na “herança” deixada pelos socialistas.

Depois dessa exposição sobre o passado, a deputada e dirigente social-democrata criticou a decisão da atual direção do PS liderada por António José Seguro de apresentar uma moção de censura ao executivo PSD/CDS-PP, afirmando: “O PS, agora, usa uma política de promoção de instabilidade, exclusivamente porque decidiu de repente que quer ser Governo, porque não respeita os ciclos governativos, ou seja, não respeita a democracia”.

“Nós temos uma coligação firme, que, à luz da Constituição da República Portuguesa de que tanto falam, nos garante um mandato de quatro anos para podermos reestruturar Portugal com o objetivo de criar condições de sustentabilidade. Isso não interessa ao PS, porque o PS o que agora quer é ser Governo”, completou Teresa Leal Coelho, apelando à “responsabilidade de todos”.

No seu discurso, a vice-presidente do PSD referiu que “a 17 de maio de 2011 o Governo socialista aceitou os termos do memorando” de ajuda externa, que estabelecia objetivos de consolidação orçamental para os anos seguintes, na sequência de défices de 10,2% em 2009, 9,8% em 2010 e 7,8% em 2011.

Ainda quanto à “herança” do PS, Teresa Leal Coelho alegou que “as contas públicas que serviram de base à elaboração do memorando estavam erradas”, com desorçamentação de despesas com as Estradas de Portugal, a Parque Escolar e a Fundação Magalhães de “cerca de 1,7 mil milhões de euros”.

A este propósito, a social-democrata recuperou a expressão “desvio colossal”.

Teresa Leal Coelho citou o anterior ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, para sustentar que o pedido de ajuda externa à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional foi feito num contexto em que o executivo do PS estava prestes a ficar sem dinheiro para pagar salários e pensões e enunciou pontos do programa assinado em 2011.

“A responsabilidade que assumimos é uma responsabilidade coletiva, do país, de todos os portugueses. É também uma responsabilidade do PS, mas à qual renuncia”, concluiu.

O PSD assumirá a sua “responsabilidade partilhada” a fará tudo “para recuperar Portugal”, prometeu. “Nós nunca viraremos as costas aos portugueses”, acrescentou.

Em resposta a esta intervenção, a deputada do PS Sónia Fertuzinhos disse que o economista Eduardo Catroga, em maio de 2011, sustentou que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal tinha sido “essencialmente influenciada” pela equipa do PSD que participou nesse processo, da qual fez parte, e tinha resultado “em medidas melhores” do que as do chamado Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) IV.

“Se vamos a factos, vamos aos factos todos”, declarou Sónia Fertuzinhos, que contestou a existência do referido “desvio colossal”.

Por outro lado, a socialista repetiu a ideia sustentada na quarta-feira por José Sócrates em entrevista à RTP de que o Governo PSD/CDS-PP tem aplicado mais austeridade do que a acordada em 2011, falando em “sobreausteridade”.

 

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