Opinião – Nem só de pão vive o homem

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JOSE RIBEIRO FERREIRA DRJosé Ribeiro Ferreira

A 27 de Março, por criação da UNESCO em 1961, celebra-se o Dia Mundial do Teatro. Aproveito a data para, dentro da série os ‘Clássicos em Coimbra’, chamar a atenção para a importância que, na divulgação dos autores greco-romanos, em especial os de teatro, tiveram o Festival de Teatro de Tema Clássico, a fazer 14 anos de existência, e o Grupo Thíasos, criado oficialmente em 1998, que são complemento um do outros. Aqui abordarei o primeiro. Do Thíasos falarei em próxima crónica.

Promovido pelo Instituto de Estudos Clássicos, Museu de Conimbriga e sua Liga de Amigos, o Festival deu os primeiros passos em 1999 com o nome de Encontros de Teatro de Tema Clássico Conimbriga – Aeminium – Sellium, associando três cidades do tempo dos Romanos. Adota em a designação de Festival de Teatro de Tema Clássico e estende-se a Viseu, Braga, Odrinhas (Sintra) e a várias outras localidades (chega a realizar representações em Vila Nova de Foz Côa, Meda, Castelo Rodrigo, Citânia de Sanfins). Cria-se no ano seguinte ( 5 de Março de 2002 ) uma associação para o organizar: Festival de Teatro de Tema Clássico – Associação Promotora, que adota a sigla Festea – Tema Clássico. Os espectáculos, pensados para serem apresentados ao ar livre, decorrem de preferência em locais históricos e contribuem para mútua valorização: animam os espaços monumentais e deles recebem enquadramento e cenário que os valorizam.

Marca positiva do Festival reside na disponibilização dos textos encenados, integrais, em pequenos livros de bolso. Dessa forma, não só se divulga o teatro e promove a melhor compreensão das representações, como também se contribui de forma significativa para a formação do gosto pelo espectáculo teatral e se incentiva a leitura. Dou um exemplo elucidativo: o texto de Os Heraclidas de Eurípides – uma peça que não é das mais emblemáticas do tragediógrafo grego –, graças ao Festival e à encenação do “Thíasos do IEC, foi distribuído por mais de 2500 pessoas, incluindo muitos alunos de escolas.

Não se ficam por aqui os méritos do Festival de Tema Clássico: contribui ainda – e não é coisa de somenos – para a formação do homem e do cidadão e ajuda a implementar valores que são de ontem, de hoje e sê-lo-ão de sempre. Convém recordar que o teatro helénico e latino equacionava, perante o público, problemas de piedade e insolência, situações de medição das forças humanas com as do destino, questões de justiça; abordava assuntos do dia a dia, quer o homem fosse visto como elemento da sociedade (a pólis), quer observado como indivíduo sujeito ao jogo de interesses e paixões.

O Festival fez parcerias com grupos espanhóis, em especial com o Grupo de Teatro Clásico Griego ‘Selene’ e Hélios de Madrid e com o Grupo Balbo de Puerto de Santa Maria, bem como com o Festival de Teatro Grecoromano de Segobriga. Desse modo fomentou, de forma muito significativa, o estreitamento das relações ibéricas.

Continuo a acreditar sinceramente nas possibilidades formativas do teatro greco-romano e no seu nada despiciendo papel pedagógico. Daí não poder deixar, a concluir, de louvar e felicitar os organizadores do Festival e o Presidente da Festea – Tema Clássico.

 

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