Aumentam agressões de utentes a médicos e enfermeiros nas urgências

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As agressões de utentes contra médicos e enfermeiros nas urgências hospitalares estão a aumentar, o que preocupa os sindicatos destes profissionais que atribuem esta escalada da violência à degradação das condições de vida.

A dirigente sindical Pilar Vicente disse à Lusa que a postura dos utentes perante os profissionais reflete os casos que são atendidos: cada vez mais violentos. “Verificamos isso através dos casos que entram pelas urgências: mais vítimas de agressão, de violência doméstica, facadas, tiros etc”, disse.

Para esta sindicalista da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), “à medida que se acentuam os problemas sociais, as pessoas tornam-se mais agressivas, bebem mais, têm maiores problemas económicos, grandes stresses e mais rapidamente recorrem à violência”.

“É um problema cívico, da própria sociedade, em que nós, os profissionais, apenas podemos tentar apelar a outro tipo de atitude”, adiantou.

Para Guadalupe Simões, do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), a violência contra estes profissionais não é nenhuma novidade, embora reconheça o aumento da sua gravidade.

A enfermeira atribui o aumento destes casos à “diminuição das suas condições económicas”.

“Já há muito que alertámos para as consequências que o agravamento da situação social iria ter na forma como os utentes e os acompanhantes tratam os enfermeiros e agora temos a confirmação com o aumento das agressões”, disse.

Guadalupe Simões sublinha que os enfermeiros estão “na linha da frente dos serviços de saúde” e são, por isso, as maiores vítimas da intolerância dos utentes.

“Sentimos esse aumento da violência nos centros de saúde, nos hospitais e nos cuidados domiciliários”, adiantou.

O SEP reconhece o importante papel da polícia nos hospitais, com Guadalupe Simões a lamentar que não existam em mais unidades de saúde, tendo em conta a sua função dissuasora.

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