Utentes das A23, A24 e A25 dizem que descontos diminuíram de 36,25% para 15%

A Comissão de Utentes Contra as Portagens nas Autoestradas A25, A24 e A23 afirmou hoje, na Guarda, que o desconto de 15% nas tarifas das antigas SCUT, representa uma diminuição dos benefícios anteriores.

Segundo Zulmiro Almeida, daquela comissão, que durante a tarde de hoje promoveu um buzinão de protesto no centro da cidade da Guarda, todos os utilizadores beneficiam agora de um novo regime nas antigas Scut (antigas estradas sem custos para o utilizador), que se traduz em tarifas 15% mais baixas, quando vigorava um desconto total “da ordem dos 36,25%” para os residentes.

Com a introdução de portagens naquelas três vias, a 8 de dezembro de 2011, os residentes e empresas tinham por cada mês dez isenções e um desconto de quinze por cento nas passagens seguintes.

“Acontece que isso desapareceu e diminuiu de 36,25% para 15%. Então, são gatunos, estão-nos a roubar essa importância que nos deram”, denunciou o responsável.

Zulmiro Almeida adiantou que a comissão de utentes irá continuar a lutar para que “não haja portagens” nas autoestradas que servem a região da Guarda e do interior e assegurou que haverá mais protestos na rua “se o Governo não tiver a coragem e a verticalidade de cumprir aquilo que deve: acabar com as portagens que nunca deveriam ter começado”.

O buzinão iniciado pelas 16:50 no centro da Guarda, junto do Jardim José de Lemos, teve uma grande adesão dos automobilistas e ainda chegou a provocar alguns condicionamentos na circulação.

Elementos da Comissão de Utentes Contra as Portagens nas Autoestradas A25, A24 e A23 exibiram cartazes com a mensagem “Agora, o Governo até com as isenções acabou” e distribuíram panfletos com apelos: “proteste, reclame, não se cale”.

A comissão considera que “o pagamento de portagens não é suportável pelos cidadãos e empresas dos distritos de Viseu, Guarda, Castelo Branco e Vila Real” e considera que a medida “agrava o empobrecimento daqueles que vivem e trabalham nestes distritos, afeta a atividade económicas destas regiões do interior do país e afasta” turistas e visitantes.

“As portagens são um elemento de destruição da economia local”, disse à Lusa Aires Antunes Dinis, deputado da CDU na Assembleia Municipal da Guarda que se associou ao protesto.

O advogado Álvaro Guerreiro, antigo presidente da câmara, considera que o desconto de 15% nas portagens “não é desconto nenhum”, é um entrave à “liberdade de circulação” dos cidadãos do interior do país.

“É um crime que estão a fazer ao país. Os agricultores vão ficar mais prejudicados. A economia do interior já era frágil e, com estas medidas, mais frágil fica”, vaticinou António Machado, presidente da Associação Distrital dos Agricultores da Guarda, que marcou presença no buzinão com um cartaz e uma bandeira preta.

 

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