Magia da imagem pelo buraco da agulha convida todos a fotografarem em Coimbra

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A visão do mundo recriado através do buraco da agulha é a sedução de um projeto que desafia os transeuntes de Coimbra a pegarem numa câmara deixada na rua e a fazerem uma fotografia. Uma lata selada com uma folha de papel fotográfico no interior, um buraco de agulha com uma pala, a controlar a entrada da luz, remete para os primórdios da fotografia, e para o projeto Latas na Cidade, que teve início segunda-feira em Coimbra e se prolonga até quarta-feira.

Quem quiser participar apenas tem de encontrar uma das 50 latas fotográficas, ler as instruções de uso e seguir o apelo inscrito no seu bojo: “Eu não sou uma lata, sou uma câmara fotográfica! Usa-me!”. Depois, é escolher uma perspetiva, manter a câmara num sítio firme, abrir o buraco de agulha 30 ou 60 segundos, se o sol brilha, ou se está encoberto, e deixar a intuição e imaginação fluir.

Os mais curiosos podem acompanhar a aparição da imagem numa tina de revelador do laboratório instalado no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), no âmbito da sua Escola Informal de Fotografia, a decorrer durante um ano sob a direção de Susana Paiva.

O lançamento da iniciativa Latas na Cidade foi antecedido por uma ação de formação dirigida por Magda Fernandes e Domingos Paulo, sobre fotografia estenopeica, construção de câmaras e criação e revelação de imagens fotográficas.

Ana Monteiro e Ana Figueiredo, ambas estudantes do Instituto Politécnico de Coimbra, uma em Gestão e a outra em Arte e Design, foram na segunda-feira voluntárias na distribuição de latas pela cidade, e também seduzidas na magia da fotografia. Um muro, um banco de jardim, um degrau, ou até um assento de Vespa serviram para deixar a lata fotográfica.

Ambas optaram por retratar um símbolo da cidade, os estudantes e, por coincidência, numa ocasião em que a academia vive um dos seus rituais de iniciação, a Festa das Latas, um evento tradicional de acolhimento aos caloiros.

“É mais interessante do que andar aqui com uma câmara digital, que toda a gente tem. É uma maneira diferente de experimentar a fotografia”, observou à a Lusa Ana Figueiredo, frisando que o seu interesse pela fotografia é também uma consequência de cursar Arte e Design.

Ana Monteiro tomou conhecimento do evento através do facebook, e com era “uma iniciativa gira” não quis perder a oportunidade.

Após calcorrearem a zona da Praça da República e das Escadas Monumentais à procura da “imagem”, no laboratório não esconderam alguma deceção com o resultado. Afinal a opção do joelho dobrado como “tripé” da câmara não fora a mais feliz. Nada melhor do que fazer de novo. Voltariam, para levar as latas recarregadas com papel fotossensível.

“Esta é uma forma completamente diferente de fotografar. As pessoas não podem ver a fotografia, têm de imaginar a fotografia. É uma gestão de expetativas. Primeiro têm de ver a imagem na sua cabeça e depois é que vão ver a imagem. E só tiram uma fotografia de cada vez”, observou Magda Fernandes.

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