Inatel quer reabilitar a viola beiroa em Castelo Branco

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A Fundação Inatel está a promover um projeto de reabilitação da viola beiroa no distrito de Castelo Branco, com o qual pretende reintroduzir este instrumento tradicional nos grupos da região. A ação tem como formadores o mestre tocador Alísio Saraiva e o músico e professor Miguel Carvalhinho e o instrumento assemelha-se a outros do género tradicional.

“Há várias semelhanças entre a viola beiroa e a viola amarantina e a campaniça, só que a viola beiroa tem duas cordas mais agudas que soam uma oitava acima e que lhe dá outro timbre”, explica Miguel Carvalhinho.

A viola beiroa chegou a ser fabricada na cidade de Castelo Branco e Alísio Saraiva recorda-se de a ver à venda nas romarias da região. Porém, com o passar dos anos, o instrumento e os seus fabricantes foram desaparecendo.

Alguns dos instrumentos usados na formação são fabricados no norte do país e não há informação escrita sobre a viola beiroa. “É uma viola que é um mistério, nós não encontramos nada em livros”, explica Alísio Saraiva.

Miguel Carvalhinho, que é professor na Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, fala da necessidade de encontrar um método de ensino “para que a viola não corra o risco de desaparecer”.

 

Sons únicos

Rui Marques, um dos alunos desta formação, ficou a conhecer o instrumento através do mestre Alísio e pretende introduzi-lo no grupo musical Quintarolas, do qual faz parte. “Tem um som que é um espetáculo e não fica atrás da braguesa nem da campaniça”, diz o músico.

Por sua vez, Pedro Louro, um dos alunos mais jovens da ação, aprende a dominar o instrumento com o objetivo de o introduzir no Rancho Folclórico da Borralheira, no concelho da Covilhã. “É muito interessante, porque tem uma sonoridade que eu não conhecia e que é muito bonita”, refere o jovem.

O Inatel quer dar continuidade à formação de executantes da viola beiroa, “assegurando o ensino regular de uma prática cultural característica da região da Beira Baixa”, diz a organização. O curso começou em setembro e termina em janeiro de 2013, repartindo-se entre a Biblioteca Municipal de Castelo Branco e a sede do Rancho Folclórico de Boidobra, na Covilhã.

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