Habitantes de Coja queixam-se de má distribuição dos meios de combate

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Um dia depois das chamas terem consumido mais de 1.000 hectares de floresta na freguesia de Coja, Arganil, a terra negra ainda fumega na encosta da Serra do Açor e mais de 300 bombeiros mantêm-se de prevenção.

As populações das aldeias mais afetadas – que viram barracões, animais, olivais e vinha arderem num incêndio que contou com mais de meio milhar de combatentes – queixaram-se hoje da falta de apoio e da distribuição dos meios de combate.

“Hoje temos muitos homens aqui, mas ontem [quinta-feira] quando o fogo chegou aqui com força não estava nenhum”, lamenta José Filipe Costa, de Vale do Carro, uma das localidades envolta pelo fogo, que recebeu ordem de evacuação, mas cuja população decidiu ficar para proteger os seus haveres.

Ao seu lado, Fernando Rodrigues, de 75 anos, acrescenta que se a população tivesse saído “tinha ardido tudo, porque não tínhamos ninguém para combater o incêndio”.

“Os meios deviam estar mal organizados, porque não estavam cá bombeiros, embora eles não pudessem acudir a todos, isso também compreendemos”, disse este morador, de 75 anos, que sozinho conseguiu evitar que as chamas atingissem as traseiras da sua habitação e dos anexos.

Nesta localidade, os dois moradores lamentam ainda que tenham ardido dois barracões, um deles com uma viatura acidentada no interior.

Em Salgueiral, povoação onde teve início o incêndio, a população andou até às 04H00 a ajudar os bombeiros a combater as chamas, que ladearam a aldeia e consumiram um barracão “e umas casas antigas”, segundo Mónica Augusta, de 18 anos, que também ajudou nas operações.

António Campos da Fonseca, um mecânico industrial, de 63 anos, que se orgulha de conhecer “meio mundo” e de ter experiência no combate a fogos, considerou também que “houve má distribuição dos meios e falta de organização”.

“Fui ao posto de comando avisar que determinadas populações corriam risco, mas não me deram ouvidos. Os responsáveis falharam na distribuição e não contaram com a mudança do vento, que inverteu a situação e projetou de novo o fogo para o Salgueiral, quando se pensava que o pior já tinha passado”, enfatizou.

Refeitos dos momentos de aflição que viveram na quinta-feira à tarde, um grupo de habitantes de Medas recordou hoje à agência Lusa as horas que estiveram sozinhos, entregues a si próprios, sem água, eletricidade e telefone, com as chamas e muito fumo em volta da povoação, como a Lusa testemunhou no local.

“Quem nos valeu, à noite, foram os militares da GNR, que andaram aqui até às 01:00 horas”, frisa Irene Fernandes, que não esconde o sofrimento que viveu durante a tarde de quinta-feira, ao sentir a sua casa “atacada”.

Maria Helena e Idalina Rodrigues corroboram a vizinha e reiteram que “não tinham ninguém para os defender”.

À agência Lusa, o presidente da Câmara de Arganil, Ricardo Pereira Alves, disse que está a ser feito o levantamento dos prejuízos causados pelo fogo, cujo trabalho deverá estar concluído na próxima semana.

O autarca confirmou ainda que várias localidades estão sem telefones, sobretudo as que foram mais diretamente afetadas, mas que empresa Portugal Telecom já está no terreno a reparar as linhas e a repor os postes de madeira consumidos pelas chamas.

Devido ao incêndio, a Câmara de Arganil anulou as comemorações oficiais do Dia do Município, previstas para hoje.

3 Comments

  1. E então a falta de limpeza dos terrenos, será que esta gente que tanto se queixa dos outros tinha os seus terrenos limpos? Não me parece… É natural haver queixas, isso compreendo, mas há que fazer também um mea culpa…

    • João José says:

      E a prisão dos autores dos incêndios? Não seria uma boa ideia? O meu tinha um pomar fresadora e até os bichos junto à casa arderam. Quer acabar com os incêndios, eu tenho uma grande parte da receita e precisamos de alguém que saiba do assunto e defenda os proprietários de pinhal, não de quem não sabe nada e dá palpites

  2. Parabéns Sr. Presidente!

    Dentro do infortúnio que essa gente viveu, o Sr revelou ser um Homem de valores não comemorando do Dia do Município. Não o conhecendo apresento os meus respeitosos cumprimentos.

    E agora mãos à obra que esse povo foi bem fustigado.

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