Ex-presidente da Águas de Coimbra refuta análises de poluição de fábrica onde trabalhou

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O antigo presidente da empresa municipal Águas de Coimbra Jorge Temido alegou, em tribunal, falta de rigor técnico de análises para justificar a não violação ambiental por parte de uma fábrica a quem prestara assessoria técnica privada.

O ex-administrador, que começou a ser julgado com mais cinco diretores pela prática de duas dezenas e meia de crimes de abuso de poder, pôs em causa o bom desempenho de uma engenheira ambiental, que tinha sido contratada “por razões humanitárias” e depois os responsáveis da empresa municipal tentaram despedir.

“As análises não foram feitas segundo os requisitos do regulamento. Não eram rigorosas nos métodos e nas avaliações”, alegou, quando confrontado com a interpretação da engenheira, sobre as emissões na rede pública de uma fábrica alimentar.

Jorge Temido, docente universitário, antes de ingressar na administração da Águas de Coimbra realizara, através de uma empresa que possuía, um estudo para o tratamento das águas residuais da fábrica e escolhera o empreiteiro que executou a ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais).

Já Temido era vogal da Águas de Coimbra e ainda a sua empresa dava apoio técnico à ETAR então construída, mas ontem alegou em tribunal não ter recebido benefícios, pois já se encontrava em processo de venda dessa firma.

Na acusação é referenciada a tentativa de despedimento da engenheira que realizara as análises às emissões da fábrica alimentar para a rede pública, e que as considerava acima dos limites permitidos, mas Jorge Temido rejeitou qualquer relação entre os factos.

A exemplo do que antes declarara em juízo o também antigo presidente Paulo Canha, Temido afirmou que essa engenheira tinha sido contratada “por razões humanitárias” e que não renovaria o seu contrato ao fim de um ano.

A engenheira tinha ingressado na Águas de Coimbra para realizar o estágio curricular na área ambiental e, após a saída do técnico analista, quando já estava na posse da licenciatura, continuou a assumir essa tarefa sem remuneração.

Foi aberto um concurso, mas quem venceu foi uma antiga aluna e ex-funcionária da empresa de Jorge Temido. A engenheira responsável pelas análises acabou também por ter um contrato, “por razões humanitárias”, o qual, segundo os administradores, seria apenas de um ano, “para poder organizar o seu futuro profissional”.

Ao fim de um ano, essa técnica foi o único funcionário da Águas de Coimbra que não viu renovado o seu contrato, segundo fez notar hoje o tribunal, mas acabou por o ver prorrogado porque os serviços de pessoal enganaram-se na morada e não a conseguiram notificar oficialmente em tempo útil.

Depois foi alvo de uma tentativa de despedimento, mediante a oferta de uma indemnização de 10.000 euros, que não aceitou.

Paulo Canha foi presidente do Conselho de Administração da Águas de Coimbra entre 2005 e 2007 – transitando depois para a administração da Águas do Mondego, empresa de capitais públicos e municipais. Jorge Temido foi vogal no Conselho de Administração de Paulo Canha, tendo-lhe sucedido na presidência, até 2009.

No processo são ainda arguidos Nuno Curica Branco, que foi vogal na administração de ambos, Joaquim Sousa, vogal no mandato de dois anos do ex-presidente Jorge Temido, Carlos Rodrigues, antigo diretor-geral, e Rui Cardantas, responsável por departamentos na mesma empresa municipal.

No processo em julgamento no Tribunal de Coimbra, são acusados pela contratualização de serviços e contratações de recursos humanos sem consulta ao mercado, alegadamente beneficiando amigos e parceiros de empresas onde tinham interesses.

São ainda indiciados por atos lesivos para as pessoas e carreiras de funcionários superiores da empresa, dois dos quais surgem neste processo como demandantes, reclamando uma indemnização de 155.000 euros

One Comment

  1. Zé da Gândara says:

    O Ti António de Santa Comba deve estar a contorcer-se de raiva na cripta, cheio de vontade de vir cá acima lidar estes artistas que cá temos no burgo pelos dias que correm… Cheira-me que em pouco tempo, o Ti António de Santa Comba punha estes meninos a piar mais fino que o Farinelli…

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