Opinião – Escolher ou optar? (I)

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Luís Parreirão

 

Portugal , como de resto outros países, vive há vários anos em sérias dificuldades. Mas isso não é novo. Como diz Eduardo Lourenço “Nem Portugal nem ninguém sabem para onde querem ir. O que é novo é isso”.

Dificuldades que certamente terão muito de importado, que em grande medida serão o reflexo de problemas mais globais, dificuldades que só a um nível supranacional encontrarão resolução definitiva. Só que, sendo tudo isto verdade, não o é menos que tal facto não pode servir de desculpa para que, enquanto país e enquanto povo, não façamos o nosso próprio trabalho. Até porque a experiência recente vem infelizmente demonstrando que as organizações supranacionais que integramos se têm revelado absolutamente bloqueadas e incapazes quando mais seriam necessárias.

E fazer o nosso próprio trabalho é ser capaz de tomar opções. É querer saber e querer determinar para onde queremos ir. Acontece que num curto período de 28 meses(Outubro de 2013 a Janeiro de 2016 ) vamos ser chamados a decidir:

Que governo queremos a nível local?

Que governo queremos a nível nacional?

Que representantes, ou que governo, queremos, a nível europeu?

Que Presidente queremos para Portugal?

Certamente não será a primeira vez que tal circunstância se verifica mas, não tenho dúvidas em afirmar, nunca tal ocorreu em circunstâncias tão difíceis para os portugueses.

E, por isso, o que está em causa agora não são apenas escolhas, são opções que comecem a desenhar o país do século XXI que queremos construir.

Serão momentos de especial responsabilidade para os cidadãos, mas sê-lo-ão especialmente para quem se apresentar ao sufrágio popular – pessoas, partidos ou movimentos de cidadãos.

É chegado o momento de voltar a dar conteúdo aos actos eleitorais, de voltar a envolver os cidadãos desde os níveis mais elementares da actividade humana e de prestar contas com clareza e com consequências.

Tal implicará para muitos responder ao desafio individual, sempre por tantos adiado, de ser capaz de sair pelo próprio pé, em nome da defesa das instituições. Este é um desafio que ganha, nas actuais circunstâncias, novo e mais profundo sentido e urgência.

Dar voz a todos e ouvir com especial atenção os melhores, os mais experientes e os mais sabedores não poderá ser, como tantas vezes tem sido, um exercício de cortesia ou uma mera formalidade.

Nos 28 meses que se aproximam vai ser preciso optar, correr riscos, acabar com os diagnósticos e passar às soluções.

Não vai bastar escolher! Porque, se ficarmos por aí é certo o declínio do país e a fragilização do regime!

(continua na próxima semana)

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