Dão espera menos produção mas vinhos de qualidade superior

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A um mês da campanha vinícola de 2012, a região do Dão deverá ter menos pipas mas vinhos de qualidade adicional. Já o Douro conta um aumento da produção, ao contrário dos produtores do Alentejo que se debatem com atrasos na maturação das videiras.

Em três das maiores regiões demarcadas do país, os produtores apontam para um aumento generalizado da qualidade mas apenas o Douro espera o reforço da produção, na ordem dos 23 por cento. Já o Dão espera a mesma quantidade de vinho enquanto o Alentejo aguarda uma ligeira redução das pipas produzidas.

Na região do Dão, António Mendes, vogal da Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVRD), espera uma produção entre os 40 e 45 milhões de litros, o que corresponde a uma “ligeira quebra”, devido ao stress hídrico a que algumas castas estiveram sujeitas, a uma ligeira incidência da podridão negra (black roth) e ainda ao escaldão da vinha que aconteceu recentemente.

“Mas, se houver uma ligeira quebra na quantidade, não é nada que preocupe. Pelo contrário, tem sido essa a condição: quando se assiste a uma ligeira quebra da produção, acontece um interessante aumento da qualidade no Dão”, atalhou.

Por isso, o também presidente da adega cooperativa de Mangualde assegura que, “se tudo correr dentro da normalidade, com a recente chuva que caiu no Dão, então a qualidade poderá até ser superior ao ano passado, que já foi um excelente ano”.

Sobre a qualidade, existe uma sintonia entre dirigentes e produtores, com João Teixeira, cujas vinhas se encontram nas mais ensolaradas encostas do rio Dão, que dá nome à região, a admitir que “se não acontecerem surpresas”, o que está para sair dos vinhedos “é um grande copo”.

A norte, a Região Demarcada do Douro prevê para esta vindima uma produção média de vinho a rondar as 295 mil pipas. Segundo dados da Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID) a expectativa de colheita para esta vindima é de cerca de 295 mil pipas, num intervalo de previsão entre as 269 e as 325 mil pipas.

As previsões da ADVID são efetuadas com base no pólen, recolhido em maio nas três sub-regiões do Douro: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.

NO entanto, a produção real poderá registar uma quebra devido à queda de granizo, que, em julho, afetou cerca de 700 hectares de vinha nos concelhos de Sabrosa, Alijó e São João da Pesqueira.

A este facto juntam-se ainda as condições meteorológicas. Este ano vitícola no Douro situa-se entre os seis mais secos desde há 40 anos, com menos 52 por cento, em média, de precipitação acumulada.

Mais a sul, a produção de vinho no Alentejo deve sofrer este ano uma diminuição face a 2011, mas ainda pouco se pode adiantar sobre esta matéria, visto que “as maturações das uvas se encontram bastante atrasadas”, segundo a CVRA.

A presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Dora Simões, adiantou à Agência Lusa que “o tempo seco e a falta de humidade no solo está a ter efeitos no desenvolvimento vegetativo da videira, causando atraso na maturação das uvas”.

“A quantidade de uva nos cachos é menor do que o habitual devido ao calibre inferior dos bagos”, sublinhou.

Segundo a responsável, a qualidade das uvas para esta vindima, até à data, “prevê-se boa”, dependendo, no entanto, “das condições climatéricas que ocorram durante a fase de maturação”.

Na região alentejana, revelou ainda a CVRA, apenas alguns produtores do Baixo Alentejo já começaram as vindimas, mas somente de algumas castas mais precoces.

 

(Artigo da Agência Lusa))

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