Politécnico quer mais justiça no financiamento do ensino superior

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“Neste momento tudo ou quase tudo o que se faz ao nível do ensino superior na área da formação também se faz numa universidade e nesse sentido, tudo tem natureza universitária pelo que não existem muitas razões para continuar a sustentar a existência de um sistema binário de instituições”.

A frase pertence a Rui Antunes, presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), e foi dita na sessão que assinalou o dia da instituição. Em pleno auditório da Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Coimbra, o responsável aproveitou para deixar um recado ao Governo sobre a necessidade de haver uma reorganização escolar no ensino superior para que seja possível “olhar para a rede de forma mais objetiva e estabelecer regras muito mais claras e transparentes”.
Apesar da ausência do secretário de Estado do Ensino Superior, Rui Antunes pediu uma nova fórmula de financiamento do ensino superior que permita introduzir “critérios de justiça, não apenas no que se refere à atribuição de fundos equivalentes a instituições que fazem formações equivalentes, mas também no acesso a verbas para investimento em instalações, área onde tem imperado uma completa ausência de equidade e transparência”. Rui Antunes referiu que “não é possível continuar a manter por mais um ano um modelo de financiamento que tem introduzido distorções graves no funcionamento das instituições de ensino superior”. Apesar de acreditar que a situação será resolvida, o docente lamentou que não tenham “conseguido expressar o nosso desconforto pelo facto de não ter havido oportunidade de sermos ouvidos, nem quanto aos princípios nem quanto aos critérios usados na referida fórmula”.
Presente na sessão esteve o antigo ministro da Saúde, Correia de Campos. Na oração de sapiência intitulada “Os Serviços de Saúde nas Sociedades Europeias do Século XXI”, o atual deputado do Parlamento Europeu fez um retrato dos últimos 40 anos da saúde em Portugal, o êxito do Serviço Nacional de Saúde e o seu futuro. “O grande risco é a privatização, mas julgo que não há condições políticas para tal”, afirmou.
O anterior titular da pasta lamentou o processo “Remédio Santo” que envolve médicos e delegados de informação médica. Na sua opinião, “a existência de fraudes põe em causa a imagem destes profissionais, mas julgo que não colocará em causa a sua ética”.
Antes das palavras de Correia de Campos, o IPC aproveitou a sessão para fazer a entrega dos prémios da 9.ª edição do concurso regional Poliempreende, homenageou o núcleo de Rugby da Escola Superior Agrária de Coimbra, a ESECTV, entregou a medalha do IPC ao antigo docente José Clemente Sanches Dias Pereira e renovou protocolos com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

(Artigo de António Alves

antonio.alves@asbeiras.pt)

One Comment

  1. Manuel Silva says:

    Muito lúcidas as palavras do Presidente do IPC. Depois do reforma do ensino superior politécnico em 1998 e sobretudo depois da reforma de Bolonha, as diferenças entre os dois sub-sistemas esbateram-se e já não faz sentido falar em sistema binário. Atenção esbateram-se nos deveres, mas aprofundaram-se nos direitos, dando origem a um sistema injusto e paradoxal. Por isso ou o governo junta os dois sub-sistemas ou passa os politécnicos a universidades.

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